O repasse de dinheiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, desencadeou uma série de investigações para apurar a legalidade das transferências e o destino dos R$ 134 milhões envolvidos.

Em uma nova frente de investigação, a Polícia Federal deve abrir um inquérito específico para investigar o caso. Estão na mira repasses de cerca de 61 milhões para um fundo localizado no Texas, nos Estados Unidos, e que tem como representante legal um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Uma das linhas de investigação da PF é a suspeita de que os valores teriam sido utilizados para custear as despesas de Eduardo, que está morando fora do país desde março do ano passado.

O contrato que mostra o ex-deputado como produtor executivo do filme foi divulgado pelo site Intercept Brasil. A revelação colocou em xeque a versão de Eduardo e obrigou o ex-parlamentar a mudar o discurso. Agora ele admite que chegou a investir dinheiro próprio, cerca de 50 mil dólares, na produção cinematográfica. A expectativa é de que o novo inquérito seja submetido ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que é o relator do caso Master no tribunal.

Outra frente de investigação é encabeçada pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União. O subprocurador-geral de contas, Lucas Rocha Furtado, apresentou uma ação pedindo a apuração sobre suspeitas do uso indireto de recursos públicos, aportes ligados ao Banco Master e eventual ocultação da origem dos valores destinados ao longa. O subprocurador apontou as contradições entre declarações dos filhos de Bolsonaro e dos produtores do filme, que negaram ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro.

Para o cientista político Melillo Diniz, o conjunto de investigações revela um cenário que vai além do financiamento do filme e expõe uma rede de relações políticas e financeiras.

'Houve um conjunto de contribuições financeiras doações que podem inclusive ser encaradas como fruto da corrupção ou da tentativa de captura de políticos e de membros da política como a família Bolsonaro. É claro que salta os olhos essa relação, salta os olhos o valor, salta os olhos tudo o que nós temos acompanhado em relação a esse caso. Isso é fruto de relações políticas e de dinheiro público que foi tomado por vários mecanismos pelo caso Master'.

Uma terceira frente de apuração foi aberta ainda pelo ministro do STF, Flávio Dino. Em um processo ele pede para investigar supostos direcionamentos de emendas parlamentares para o financiamento do filme. Entre as emendas está a do deputado federal Mário Frias de, pelo menos, 2 milhões de reais. O recurso teria beneficiado a produtora do filme que tem o próprio Mário Frias como produtor executivo. Ele nega as acusações.