A política de Alagoas ganhou protagonismo nacional nesta quarta-feira (5) com a confirmação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto.
O anúncio foi feito em Brasília, no último dia do prazo das convenções partidárias. A escolha surpreendeu parte do cenário político nacional, já que Gaspar não aparecia como principal cotado para a vaga até a reta final das negociações.
Com a decisão, um político nascido em Maceió passa a integrar diretamente uma das chapas que estarão no centro da disputa pela Presidência da República em outubro.
A escolha também representa uma mudança significativa na trajetória eleitoral de Gaspar. Até então, o deputado vinha sendo apontado como um dos nomes do PL para a disputa majoritária em Alagoas, especialmente na corrida pelo Senado. A definição como vice-presidente altera esse cenário e o coloca em uma campanha de alcance nacional.
De Alagoas para a chapa presidencial
Natural de Maceió, Alfredo Gaspar tem 55 anos e é advogado. Antes da carreira política, passou 24 anos no Ministério Público de Alagoas, onde atuou como promotor de Justiça e chegou a ocupar o cargo de procurador-geral de Justiça.
Também exerceu funções na área de segurança pública do Estado, tendo sido secretário de Defesa Social e secretário de Segurança Pública.
Em 2020, disputou a Prefeitura de Maceió e chegou ao segundo turno contra João Henrique Caldas, o JHC. Dois anos depois, foi eleito deputado federal por Alagoas.
Na Câmara dos Deputados, construiu sua atuação principalmente em temas relacionados à segurança pública, combate à criminalidade e endurecimento da legislação penal. Em 2026, deixou o União Brasil, ingressou no PL e assumiu a presidência estadual da legenda.
Agora, sua escolha para a vice-presidência transforma a liderança estadual do PL em um dos personagens diretamente envolvidos na sucessão presidencial.
O que muda para Alagoas
A presença de Alfredo Gaspar na chapa presidencial aumenta a exposição de Alagoas na eleição nacional e tende a colocar o Estado no roteiro das articulações da campanha de Flávio Bolsonaro.
Gaspar também passa a ter um papel estratégico na construção do palanque do candidato do PL no Nordeste, região considerada fundamental para a disputa presidencial.
Antes do anúncio, o próprio cenário alagoano era apontado como um dos desafios para a campanha de Flávio. O PL vinha buscando organizar uma estrutura eleitoral no Estado, enquanto lideranças locais negociavam possíveis alianças para as disputas majoritárias.
A escolha de Gaspar pode alterar esse tabuleiro. O deputado deixa de ser apenas uma peça da disputa estadual e passa a ser um dos principais representantes alagoanos em uma chapa presidencial.
A movimentação também deve repercutir nas eleições para o Governo de Alagoas e para o Senado, já que Gaspar vinha sendo citado nas articulações locais para uma das vagas ao Senado.
Escolha ocorreu após fracasso de alianças
A composição da chapa de Flávio Bolsonaro foi definida depois de o PL não conseguir fechar uma aliança nacional com partidos do chamado Centrão.
Nomes como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ligada ao Republicanos, chegaram a ser considerados para a vaga.
O Republicanos e o PP, porém, decidiram manter neutralidade na disputa presidencial. Diante desse cenário, Flávio acabou optando por um nome do próprio PL.
A decisão resultou em uma chapa formada exclusivamente por integrantes da legenda.
Segundo a imprensa nacional, a escolha de Gaspar ocorreu de maneira relativamente inesperada. O deputado potiguar Rogério Marinho chegou a ser apontado como um dos principais cotados até a reta final.
Próximos passos
Com a escolha do vice, Flávio Bolsonaro encerra uma das principais indefinições de sua candidatura. A chapa agora entra na fase de preparação para a campanha eleitoral, enquanto as alianças e os palanques estaduais continuam sendo definidos.
Em Alagoas, o anúncio deve provocar novas movimentações entre os grupos políticos que disputam o Governo do Estado e as duas vagas ao Senado.
A principal incógnita é como a candidatura de Gaspar à vice-presidência irá reorganizar o projeto eleitoral do PL no Estado e quais lideranças alagoanas estarão dispostas a dividir o palanque com Flávio Bolsonaro.
O que já está definido é que Alagoas terá um representante diretamente na corrida pelo Palácio do Planalto em 2026 — e, desta vez, ocupando o segundo posto da chapa presidencial.
