Cuba enfrenta uma grave crise energética desde o fim de janeiro, quando os Estados Unidos passaram a ameaçar com represálias qualquer país que forneça petróleo à ilha.

Desde então, a escassez de energia fez com que os apagões no país se intensificassem. Em Havana, os cortes de energia já passam de 19 horas por dia, enquanto em algumas províncias a falta de luz dura dias inteiros.

Nesta quarta-feira (14), o governo cubano chegou a anunciar que as reservas de combustível da ilha "se esgotaram", o que gerou protestos em Havana.

A tensão entre Cuba e Estados Unidos aumentou ainda mais nas últimas semanas. O governo Trump vem dando sinais de que Havana voltou ao centro de suas atenções. Ao mesmo tempo, autoridades dos dois países alternam declarações de aproximação e de confronto.

Veja abaixo quais foram esses movimentos.

➡️​Ameaças do governo Trump

Em meio à crescente tensão entre Cuba e EUA, autoridades norte-americanas passaram a fazer declarações sobre uma possível operação militar para "assumir" o controle da ilha caribenha.

Em março, Trump afirmou a jornalistas na Casa Branca que seria uma “honra” tomar Cuba.

"Eu realmente acho que seria uma honra para mim tomar Cuba. Seria ótimo. Uma grande honra. Eu posso libertá-la ou conquistá-la, acho que posso fazer o que quiser com ela", declarou no Salão Oval.

No início de maio, o presidente voltou a dizer que os EUA poderiam “assumir” Cuba “quase imediatamente” após o fim da guerra contra o Irã.

Em resposta, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez disse que "nenhum agressor, por poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba".

Poucos dias depois, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o atual cenário em Cuba era “inaceitável” e afirmou que Washington iria “resolver o problema”, sem dar detalhes.

No dia seguinte, o governo cubano classificou as declarações americanas como “perigosas” e como um “crime internacional”.

➡️ Aumento dos voos de 'reconhecimento'

Agências militares e de inteligência dos EUA aumentaram nos últimos meses os voos de “vigilância” em áreas próximas a Cuba, segundo funcionários americanos ouvidos pelo jornal “The New York Times”. A movimentação inclui aeronaves e drones.

Especialistas afirmam que os voos funcionam como uma estratégia de intimidação contra o governo cubano, uma forma de demonstrar força e aumentar a pressão psicológica sobre Havana.

Segundo um funcionário militar americano ouvido pelo jornal, o objetivo é ampliar a pressão política e econômica sobre Cuba, e não preparar uma operação militar imediata.

➡️Diretor da CIA visita Cuba

O diretor da CIA, John Ratcliffe (à esquerda), em uma reunião em Havana, Cuba. — Foto: Divulgação/CIA
O diretor da CIA, John Ratcliffe (à esquerda), em uma reunião em Havana, Cuba. — Foto: Divulgação/CIA

O diretor da CIA, John Ratcliffe, se reuniu nesta quinta-feira (14), em Havana, com autoridades do Ministério do Interior cubano.

A CIA disse ter transmitido uma mensagem de Trump de que os Estados Unidos estão dispostos a discutir temas econômicos e de segurança caso Cuba faça “mudanças fundamentais”.

Segundo a mídia estatal Cubadebate, os dois lados demonstraram interesse em ampliar a cooperação entre as agências de segurança e de aplicação da lei.

Além disso, o governo cubano afirmou que a reunião buscou melhorar o diálogo bilateral e reiterou que Cuba “não representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”.

O encontro ocorreu no mesmo dia em que um avião do governo americano foi visto no aeroporto internacional de Havana.

➡️Oferta de ajuda

O Departamento de Estado dos EUA afirmou nesta quarta-feira (13) que está pronto para oferecer US$ 100 milhões em ajuda direta ao povo cubano, caso Havana autorize.

Segundo o governo americano, os recursos seriam distribuídos com apoio da Igreja Católica e de organizações humanitárias independentes.

Um dia antes, Trump afirmou que Cuba estava “pedindo ajuda” e disse que o governo americano iria “conversar” com a ilha. Ele também chamou o país de “fracassado”.

De acordo com Washington, os EUA fizeram propostas privadas de assistência, incluindo internet via satélite gratuita e ajuda humanitária.

Nesta quinta-feira (14), presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, respondeu à oferta de US$ 100 milhões dizendo que a maneira mais fácil de ajudar Cuba seria suspender o embargo econômico.

"Os danos poderiam ser aliviados de uma maneira mais fácil e rápida com o levantamento ou o afrouxamento do bloqueio, pois se sabe que a situação humanitária é friamente calculada e induzida" por Washington, escreveu Díaz-Canel no X.

Mais cedo no mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, disse que estava considerando aceitar a ajuda de 100 milhões de dólares desde que ela seja distribuída através da Igreja católica.

➡️EUA planejam indiciar Raúl Castro

Raúl Castro em 1º de maio de 2025 em Havana, Cuba — Foto: Norlys Perez / Reuters
Raúl Castro em 1º de maio de 2025 em Havana, Cuba — Foto: Norlys Perez / Reuters

Os EUA planejam indiciar o ex-presidente cubano Raúl Castro, afirmou um funcionário do Departamento de Justiça dos EUA nesta quinta-feira (14). A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters.

Segundo a fonte, procuradores federais pretendem anunciar a acusação em Miami na quarta-feira (20).

A data coincide, de acordo com a Reuters, com uma homenagem organizada pela Procuradoria de Miami às vítimas do caso que motiva as acusações contra Castro.

O ex-presidente de Cuba e irmão de Fidel Castro, de 94 anos, deve ser acusado por um incidente envolvendo a queda de aeronaves ocorrido há trinta anos, em 1996. Na época, Raúl Castro era ministro da Defesa.

O incidente envolveu o abatimento fatal de aviões operados por um grupo de exilados cubanos chamado "Irmãos ao Resgate". Na época, o governo cubano argumentou que o ataque foi uma resposta legítima à intrusão de aviões no espaço aéreo cubano.

Os Estados Unidos condenaram o ataque e impuseram sanções contra Cuba, mas nunca haviam acusado criminalmente Raúl Castro ou seu irmão, Fidel Castro.