Embora a legislação trabalhista brasileira assegure 30 dias de férias remuneradas aos trabalhadores com carteira assinada após 12 meses de trabalho, a maior parte dos brasileiros não consegue usufruir integralmente desse direito. Um levantamento internacional divulgado neste mês mostra que apenas um em cada três trabalhadores utiliza os 30 dias completos de descanso previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O estudo, realizado pela plataforma global de recursos humanos Deel em parceria com a empresa de investimentos Andreessen Horowitz, analisou mais de 1,5 milhão de registros de solicitações de férias em 150 países. No Brasil, foram avaliadas quase mil solicitações de trabalhadores, principalmente de empresas de tecnologia, startups e organizações que adotam modelos remoto e híbrido.
Os dados apontam que, em média, os brasileiros utilizam cerca de 22 dias de férias por ano, o equivalente a aproximadamente 72% do benefício disponível. Apesar de o país estar entre aqueles que oferecem os maiores períodos de férias remuneradas do mundo — atrás apenas da França, entre os países pesquisados —, boa parte dos profissionais acaba não aproveitando todo o período de descanso.
Por que muitos deixam de tirar os 30 dias?
Entre os principais fatores apontados estão a possibilidade de vender até um terço das férias, prática conhecida como abono pecuniário, o interesse em dividir o descanso ao longo do ano e, principalmente, questões financeiras.
A reforma trabalhista também contribuiu para essa mudança de comportamento ao permitir que as férias sejam fracionadas em até três períodos, desde que um deles tenha pelo menos 14 dias corridos e os demais não sejam inferiores a cinco dias.
Outro aspecto destacado é a dificuldade crescente de muitos profissionais em se desconectar completamente do trabalho. O uso constante de celulares, aplicativos de mensagens e plataformas digitais faz com que muitos continuem respondendo demandas profissionais mesmo durante o período de descanso.
Reflexos para Alagoas
Em Alagoas, onde o comércio, os serviços, o turismo e o setor público concentram grande parte dos empregos formais, a pesquisa chama atenção para um cenário cada vez mais comum: trabalhadores optando por vender parte das férias para complementar a renda familiar ou dividir os dias de descanso em diferentes momentos do ano.
Especialistas em relações de trabalho destacam que essa escolha, embora legal, pode reduzir os benefícios físicos e emocionais proporcionados pelas férias contínuas. O descanso adequado está diretamente ligado à redução do estresse, prevenção da síndrome de burnout, melhora da saúde mental e aumento da produtividade.
No estado, o período de férias também movimenta a economia, especialmente em destinos turísticos como Maragogi, São Miguel dos Milagres, Barra de São Miguel, Penedo e Maceió. Quando os trabalhadores conseguem usufruir integralmente do benefício, há reflexos positivos para hotéis, pousadas, bares, restaurantes, comércio e serviços ligados ao turismo.
Direito garantido por lei
A CLT estabelece que todo trabalhador com carteira assinada tem direito a 30 dias de férias remuneradas após completar um ano de trabalho. Além do salário, o empregado recebe o adicional constitucional de um terço sobre a remuneração.
A legislação também permite que o trabalhador converta até dez dias de férias em pagamento extra, desde que haja solicitação dentro do prazo legal.
Descanso é investimento em saúde
Especialistas reforçam que as férias não representam apenas um benefício trabalhista, mas um importante mecanismo de proteção à saúde física e mental. Estudos mostram que períodos adequados de descanso ajudam na recuperação do organismo, fortalecem a capacidade de concentração, reduzem afastamentos por doenças ocupacionais e melhoram o desempenho profissional.
Em um cenário de jornadas cada vez mais conectadas e exigentes, a pesquisa reforça um alerta importante: garantir tempo de descanso pode ser tão estratégico para empresas quanto para os próprios trabalhadores.
