O governo brasileiro considera que houve avanço nas discussões técnicas realizadas durante a audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que analisa a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Apesar da avaliação positiva, integrantes da equipe econômica reconhecem que uma eventual reversão das medidas dependerá, principalmente, de negociações políticas entre Brasília e Washington.

A audiência integra a investigação conduzida pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, utilizada para apurar supostas práticas consideradas desleais no comércio internacional. A proposta em análise prevê a criação de tarifas adicionais sobre parte das exportações brasileiras para o mercado americano.

Representantes do setor produtivo e especialistas que participaram das discussões afirmaram que os técnicos do USTR concentraram os questionamentos em aspectos jurídicos e comerciais, abrindo espaço para esclarecimentos apresentados pelas entidades brasileiras. A percepção é de que os argumentos técnicos foram recebidos de forma positiva, especialmente em relação aos impactos que as tarifas poderão causar às cadeias produtivas dos dois países.

Mesmo assim, interlocutores do governo destacam que o processo segue um rito administrativo. Após a conclusão das audiências, o USTR deverá elaborar um relatório consolidando as manifestações recebidas e encaminhá-lo à Casa Branca. A palavra final sobre a manutenção, alteração ou retirada das tarifas caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Enquanto aguarda os próximos passos da investigação, o governo brasileiro mantém abertas as frentes de negociação diplomática. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que novas reuniões técnicas foram realizadas com representantes norte-americanos e que a expectativa é ampliar o diálogo político antes da decisão definitiva.

Segundo integrantes da equipe econômica, a estratégia brasileira é demonstrar que a elevação das tarifas pode prejudicar empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países, além de comprometer cadeias de fornecimento que dependem do comércio bilateral.

A expectativa é que, nos próximos dias, o governo dos Estados Unidos conclua a análise das contribuições apresentadas durante as audiências. Até lá, autoridades brasileiras e representantes da iniciativa privada continuarão defendendo a revisão da proposta, apostando na combinação entre argumentos técnicos e negociações diplomáticas para evitar a adoção das novas barreiras comerciais.