O governo brasileiro pretende ampliar as relações comerciais com a Índia como parte da estratégia para reduzir os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos nacionais.

A missão brasileira ao país asiático ocorre em um momento de pressão sobre as exportações para o mercado norte-americano e terá entre os principais objetivos a busca por novas oportunidades de negócios em setores considerados estratégicos, como defesa, tecnologia e indústria.

A estratégia de ampliar parceiros comerciais ganhou força depois da entrada em vigor de novas sobretaxas dos Estados Unidos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas adotadas pelo governo norte-americano atingem atualmente cerca de 23,1% das exportações brasileiras para os EUA.

Índia ganha espaço na estratégia brasileira

A aproximação com a Índia não é recente. Brasil e Índia vêm ampliando a cooperação comercial e diplomática, com discussões envolvendo comércio, investimentos, defesa, segurança alimentar, transição energética, transformação digital e tecnologias emergentes.

Em missão anterior ao país asiático, o governo brasileiro já havia estabelecido como meta elevar o comércio bilateral e ampliar as preferências tarifárias do acordo entre Mercosul e Índia. A intenção é diversificar a pauta comercial e criar novas oportunidades para empresas dos dois países.

A expectativa é que a nova rodada de conversas avance também em áreas de maior valor agregado, especialmente aquelas ligadas à tecnologia e à indústria.

Tarifaço aumenta pressão sobre exportações

A ofensiva comercial dos Estados Unidos tornou a diversificação dos mercados uma prioridade para o governo brasileiro.

Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A participação dos EUA nas exportações brasileiras também diminuiu, passando de 12,1% para 9,4% na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.

Entre os produtos atingidos pelas novas medidas estão máquinas e equipamentos, madeira, calçados, móveis e confecções. Em determinados casos, as sobretaxas podem chegar a 37,5%, de acordo com a combinação das medidas estabelecidas pelo governo norte-americano.

Defesa e tecnologia estão no radar

A cooperação entre Brasil e Índia também envolve setores estratégicos para os dois países.

Na área de defesa, os governos já discutiram possibilidades de parceria tecnológica, treinamento, interoperabilidade e manutenção de equipamentos. A agenda faz parte de uma aproximação mais ampla entre as duas nações.

Outro eixo de interesse é a transformação digital e o desenvolvimento de tecnologias emergentes, além de parcerias industriais capazes de ampliar investimentos e a produção de bens de maior valor agregado.

A intenção brasileira é aproveitar a relação com a Índia para abrir novas possibilidades de negócios e diminuir a dependência de determinados mercados.

Governo também busca outros parceiros

A aproximação com a Índia faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação comercial.

O governo brasileiro tem defendido a ampliação das exportações para outros mercados diante das dificuldades provocadas pela política tarifária dos Estados Unidos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou que o país precisa trabalhar para diversificar mercados enquanto mantém as negociações com os norte-americanos.

Apesar da busca por novos parceiros, o governo brasileiro mantém o diálogo com Washington. As negociações entre os dois países envolvem temas como comércio digital, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol e questões ambientais.

A estratégia, portanto, combina duas frentes: tentar reduzir os efeitos das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, ampliar a presença dos produtos brasileiros em mercados como o indiano.

Relação comercial tem potencial de crescimento

A Índia é considerada um dos mercados estratégicos para o Brasil, tanto pelo tamanho de sua economia quanto pelo potencial de expansão da relação comercial.

Além do comércio de produtos tradicionais, a expectativa é aumentar a participação brasileira em cadeias de maior valor agregado e estimular investimentos recíprocos.

Com o tarifaço americano pressionando parte das exportações, a missão brasileira à Índia ganha importância adicional: encontrar novos mercados, fortalecer alianças econômicas e criar alternativas para empresas que podem ser afetadas pela redução das vendas aos Estados Unidos.