O Brasil registrou uma redução significativa na área atingida por queimadas em 2025, mas os números mais recentes do MapBiomas Fogo mostram que o cenário ainda exige atenção em regiões como o Nordeste. Entre janeiro e julho do ano passado, a área queimada na Caatinga aumentou 54% em comparação com o mesmo período de 2024.
O dado chama a atenção para Alagoas, que possui áreas inseridas no bioma, especialmente no Sertão e no Agreste. Apesar da redução geral das queimadas no país, a maior pressão sobre a Caatinga reforça a necessidade de ações de prevenção e combate ao fogo no estado.
De acordo com o MapBiomas, 31 mil hectares foram atingidos pelo fogo na Caatinga nos primeiros sete meses de 2025. Desse total, 67,6% das áreas queimadas estavam concentradas em formações savânicas.
Brasil teve redução expressiva da área queimada
Em todo o território nacional, o cenário foi diferente. O Brasil registrou 2,45 milhões de hectares queimados entre janeiro e julho de 2025, uma redução de 59% em relação ao mesmo período de 2024, quando 6,09 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo.
A maior parte da área consumida pelas chamas estava em vegetação nativa, que respondeu por 75% do total. O Cerrado foi o bioma mais afetado no período, com 1,2 milhão de hectares queimados, enquanto a Amazônia registrou 1,1 milhão de hectares atingidos.
O resultado representa uma melhora significativa em relação a 2024, mas especialistas alertam que a redução nacional não significa que o problema tenha sido resolvido.
O próprio MapBiomas aponta que fatores como o retorno das chuvas, períodos úmidos mais prolongados e uma maior cautela de produtores e comunidades contribuíram para a diminuição das queimadas em determinadas regiões.
Caatinga aparece na contramão da tendência nacional
Enquanto os principais biomas brasileiros apresentaram redução da área atingida pelo fogo, a Caatinga seguiu em direção oposta.
O aumento de 54% registrado entre janeiro e julho de 2025 coloca o bioma em situação de alerta. Para Alagoas, o cenário merece atenção principalmente por causa da vulnerabilidade da vegetação em períodos de estiagem e das condições climáticas que podem favorecer a propagação das chamas.
O fogo em áreas de vegetação pode provocar perda de biodiversidade, degradação do solo e danos à fauna, além de aumentar a emissão de fumaça e partículas que prejudicam a qualidade do ar.
A situação também pode atingir atividades econômicas e comunidades rurais, especialmente quando as chamas avançam sobre áreas de produção agropecuária ou se aproximam de propriedades e áreas habitadas.
Alagoas já registrou aumento de ocorrências
Dados do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas reforçam a preocupação com o avanço dos incêndios em vegetação no estado.
Durante os primeiros dez dias da Operação Verão, em dezembro de 2025, a corporação registrou 72 atendimentos relacionados a incêndios em vegetação. O número representou um aumento de 80% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram contabilizadas 40 ocorrências.
Segundo o CBMAL, fatores como calor, baixa umidade e ventos fortes podem facilitar a propagação das chamas. A corporação também destaca que muitos incêndios têm origem em ações humanas, sejam criminosas ou decorrentes de negligência.
A elevação das ocorrências reforça a necessidade de atenção durante os períodos mais secos do ano, quando a vegetação fica mais suscetível ao fogo.
IMA alerta para focos de queimadas
O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas também vem monitorando a situação no estado.
Em janeiro de 2025, o IMA registrou 621 focos de queimadas entre os dias 19 e 25 daquele mês, número 256% superior aos 174 focos identificados na semana anterior.
O levantamento apontou ainda ocorrências em áreas de proteção ambiental e em diferentes tipos de vegetação. Entre as áreas protegidas monitoradas estavam a APA do Pratagy e a APA de Murici.
Os dados mostram que o problema não se restringe às áreas rurais mais afastadas. Dependendo das condições climáticas e da intensidade do fogo, as queimadas também podem atingir áreas ambientalmente protegidas e provocar impactos sobre ecossistemas considerados estratégicos para o estado.
Repercussão ambiental e preocupação com a saúde
A redução das queimadas no Brasil em 2025 foi recebida como um sinal positivo por especialistas e órgãos ambientais, principalmente após os números elevados registrados em 2024.
No entanto, o avanço observado na Caatinga mantém o debate sobre a necessidade de políticas específicas para cada bioma. O comportamento do fogo não é igual em todo o país e depende de fatores como clima, características da vegetação, uso do solo e ação humana.
Em Alagoas, a preocupação também envolve a saúde pública. A fumaça proveniente das queimadas pode agravar problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
Por isso, períodos de maior concentração de incêndios exigem atenção das autoridades e orientação à população.
Alagoas registra queda no desmatamento
Apesar do alerta relacionado às queimadas, Alagoas também apresentou um resultado positivo na área ambiental.
Dados do Relatório Anual do Desmatamento de 2025, divulgado pelo MapBiomas, apontaram uma redução de 68,4% no desmatamento de vegetação nativa no estado.
Segundo o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, foram desmatados 871 hectares de vegetação nativa em 2025, o equivalente a aproximadamente 1.220 campos de futebol. O número representou 0,1% de toda a área desmatada no Brasil naquele ano.
O resultado é considerado positivo, mas não elimina a necessidade de fiscalização e prevenção contra queimadas e outros tipos de degradação ambiental.
Prevenção continua sendo o principal desafio
Os dados mostram um cenário ambiental que exige uma análise regionalizada. Enquanto o Brasil apresentou uma forte redução da área queimada em 2025, a Caatinga registrou crescimento no período analisado, colocando o Nordeste diante de um desafio específico.
Para Alagoas, a combinação entre áreas de vegetação suscetíveis ao fogo, períodos de estiagem e ocorrências provocadas pela ação humana reforça a necessidade de ampliar campanhas de conscientização e ações de prevenção.
A orientação dos órgãos de segurança e meio ambiente é para que a população evite práticas que possam provocar incêndios, como queimadas sem controle e descarte inadequado de materiais inflamáveis.
O cenário nacional melhorou, mas os números da Caatinga e os registros de ocorrências em Alagoas mostram que o combate às queimadas continua sendo uma prioridade para a preservação ambiental e para a proteção da população.
