A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve colocar a transição energética e a exploração de terras raras entre os principais eixos do programa de governo para as eleições de 2026.
A proposta está sendo construída pelo PT e aliados e busca apresentar uma agenda voltada ao desenvolvimento econômico, à soberania nacional e ao fortalecimento da indústria brasileira. O documento ainda passa por ajustes antes de ser apresentado oficialmente.
Entre os temas que ganharam espaço nas discussões está a utilização das riquezas minerais brasileiras para ampliar a produção nacional de tecnologias consideradas estratégicas para a economia do futuro.
As terras raras são um conjunto de elementos químicos utilizados na fabricação de equipamentos de alta tecnologia, incluindo componentes eletrônicos, motores elétricos e outras aplicações relacionadas à transição energética.
PT defende maior valor agregado no Brasil
O coordenador do programa de governo do PT, José Sergio Gabrielli, já afirmou que terras raras, indústria de defesa, vacinas e fármacos estão entre os setores que devem receber atenção dentro de uma estratégia de soberania científica e tecnológica.
A intenção é evitar que o Brasil fique restrito à exportação de matérias-primas. A proposta defendida pelo partido prevê que uma parcela maior do processamento e da transformação desses recursos ocorra dentro do país, gerando tecnologia, empregos e maior valor agregado.
O tema também aparece em manifestações recentes de Lula. O presidente tem defendido que o Brasil utilize sua posição privilegiada em relação aos minerais críticos para avançar na produção de conhecimento e tecnologia, em vez de atuar apenas como fornecedor de recursos naturais.
Transição energética como eixo econômico
Outro ponto que deve ganhar destaque no programa é a transição energética, área que já integra políticas do atual governo.
A estratégia envolve ampliar a participação de fontes renováveis, estimular investimentos em novas tecnologias e aproveitar as vantagens brasileiras na produção de energia de menor emissão de carbono.
O governo federal também vem relacionando a transição energética ao desenvolvimento industrial. O Ministério de Minas e Energia afirma que projetos do setor podem contribuir para geração de renda e para a modernização da matriz energética brasileira.
A agenda deve ser apresentada pela campanha como uma oportunidade para o país transformar vantagens naturais em desenvolvimento econômico e tecnológico.
Soberania nacional
A discussão sobre minerais estratégicos está ligada a um conceito mais amplo defendido pelo PT: o de soberania nacional.
Segundo o coordenador do programa, o conceito deve envolver não apenas defesa e território, mas também áreas como soberania digital, alimentar, científica e tecnológica.
Nesse contexto, as terras raras são consideradas estratégicas diante da crescente demanda mundial por tecnologias ligadas à eletrificação, à indústria avançada e à transição energética.
O PT afirma que pretende incluir no programa medidas para ampliar a capacidade brasileira de pesquisa, processamento e industrialização desses recursos.
Programa ainda está em construção
O programa de governo para as eleições de 2026 ainda está sendo finalizado. O PT lançou uma plataforma participativa para receber sugestões e construir as diretrizes que deverão orientar uma eventual nova gestão de Lula.
Além das questões econômicas e ambientais, o documento deverá tratar de temas como redução das desigualdades, saúde, educação, primeira infância, envelhecimento da população, cuidados e fortalecimento da democracia.
A campanha trabalha para consolidar as propostas antes da apresentação oficial do programa aos eleitores.
A estratégia anunciada até agora indica uma tentativa de combinar políticas sociais tradicionais do campo petista com uma agenda de industrialização, tecnologia, energia limpa e aproveitamento de minerais estratégicos.
Lula busca um novo mandato nas eleições de 2026.
