A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram, nesta segunda-feira (10), um pacote com dez novas medidas para combater a cera e reduzir o tempo de bola parada nas partidas.

As mudanças passam a ser adotadas imediatamente nas competições organizadas pela CBF, incluindo as diferentes divisões do Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e o Brasileirão Feminino A1. A implementação ocorre a partir da próxima rodada do Brasileirão, a 23ª.

Entre as novidades estão limites de tempo para goleiros, cobranças de lateral e tiros de meta, além de mudanças nas substituições e no atendimento médico. O protocolo do VAR também será ampliado.

Uma das medidas que mais chama atenção é o chamado “Protocolo Vini Jr.”, que prevê punição com cartão vermelho para jogadores que cubram intencionalmente a boca durante discussões com adversários.

Veja as dez mudanças

1. Goleiros terão oito segundos para repor a bola

O goleiro não poderá permanecer com a bola nas mãos por mais de oito segundos. Caso ultrapasse o limite, o adversário será beneficiado com um escanteio.

2. Laterais terão limite de cinco segundos

O jogador responsável pelo arremesso lateral terá cinco segundos para fazer a cobrança após estar com a bola em mãos e pronto para executar o lance.

Se houver demora além do limite, a posse será invertida.

3. Tiro de meta também terá contagem

A cobrança do tiro de meta terá limite de cinco segundos quando o árbitro identificar uma demora proposital.

Caso o goleiro ultrapasse o tempo determinado, será marcado escanteio para a equipe adversária. A contagem, portanto, não começa automaticamente no instante em que a bola sai de jogo, mas quando o árbitro entende que há atraso intencional.

4. Jogador substituído terá dez segundos para sair

O atleta que for substituído deverá deixar o campo pelo ponto mais próximo e terá dez segundos para fazê-lo depois que a substituição for autorizada.

A intenção é evitar que jogadores usem a saída do gramado para consumir tempo.

5. Atleta atendido ficará um minuto fora

Jogadores que receberem atendimento médico dentro do campo deverão permanecer fora por pelo menos um minuto após a partida ser reiniciada.

A regra busca impedir que atendimentos sejam utilizados como estratégia para interromper o jogo e gastar tempo.

6. Atendimento ao goleiro também poderá tirar um jogador de linha

Quando o goleiro receber atendimento médico e precisar permanecer em campo, um jogador de linha da equipe deverá ficar fora durante um minuto.

O atleta que cumprirá esse período será indicado pelo treinador ou pelo capitão.

7. Apenas o capitão poderá falar com o árbitro

A comunicação com a arbitragem será restrita ao capitão de cada equipe.

A ideia é reduzir cercos ao árbitro e tornar as discussões em campo mais organizadas, com apenas um representante de cada time autorizado a conversar diretamente com o responsável pela partida.

“Lei Vini Jr.” prevê cartão vermelho

8. Cobrir a boca durante discussão poderá gerar expulsão

Uma das regras mais comentadas é a que ficou conhecida como “Lei Vini Jr.”.

Jogadores que cobrirem intencionalmente a boca durante uma discussão com adversários estarão sujeitos a cartão vermelho.

A medida busca coibir conversas escondidas entre jogadores durante confrontos e foi inspirada em episódios de discussões em que atletas utilizam as mãos para impedir a leitura labial.

9. VAR poderá revisar segundo cartão amarelo

O protocolo do árbitro de vídeo também será ampliado.

O VAR poderá auxiliar o árbitro em situações envolvendo um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão, caso exista evidência clara de erro na aplicação da punição.

A mudança representa uma ampliação importante do uso do sistema, já que anteriormente o protocolo era mais restrito em situações envolvendo a segunda advertência. A própria CBF havia informado que a alteração fazia parte do pacote aprovado pelo IFAB em 2026.

10. VAR poderá atuar em escanteios que resultem em gol ou pênalti

Outra alteração envolve decisões equivocadas de escanteio.

A revisão por vídeo poderá ser utilizada em determinadas situações em que um escanteio concedido incorretamente tenha influência direta em um gol ou em um pênalti.

Essa medida, porém, tem previsão de implementação em 2027, diferentemente das demais mudanças aprovadas para aplicação imediata.

Objetivo é aumentar o tempo de bola rolando

As medidas fazem parte de um esforço da CBF para tornar as partidas mais dinâmicas e diminuir interrupções consideradas evitáveis.

Dados apresentados pela entidade apontam que, antes da paralisação do calendário para a Copa do Mundo, o tempo médio de bola rolando no Brasileirão Série A era de 52 minutos e 54 segundos.

A meta estabelecida pela FIFA é chegar a aproximadamente 60 minutos de bola em jogo. Segundo levantamento apresentado pela CBF aos clubes, as novas medidas poderiam recuperar mais de seis minutos de tempo efetivo por partida.

A entidade afirma que a aplicação das regras dependerá não apenas da arbitragem, mas também da adaptação de clubes e jogadores.

As mudanças fazem parte da implementação no futebol brasileiro de alterações aprovadas pelo International Football Association Board (IFAB), órgão responsável pelas regras do futebol mundial.