O celular deixou há muito tempo de ser apenas um aparelho de comunicação. Hoje, concentra contas bancárias, documentos, redes sociais, aplicativos de trabalho, fotos e informações pessoais. Por isso, perder o telefone em um roubo ou furto pode representar muito mais do que o prejuízo material.

É nesse cenário que o Celular Seguro ganha importância. A plataforma do Governo Federal permite que usuários cadastrem seus aparelhos previamente e, em caso de roubo, furto ou perda, emitam um alerta para acelerar medidas de proteção do dispositivo e dos dados. O serviço também permite consultar se um celular usado possui registro de roubo, furto ou extravio.

Em Alagoas, a ferramenta ganhou uma dimensão ainda mais prática no combate ao mercado ilegal de celulares. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) mostram que o Programa Celular Seguro Alagoas já recuperou 2.530 aparelhos roubados ou furtados. Desse total, 1.907, ou 75,4%, já haviam sido devolvidos aos proprietários em levantamento divulgado em março deste ano.

Tecnologia que chega às ruas

O resultado não fica restrito ao ambiente digital. Em abril, uma consulta ao sistema Celular Seguro ajudou policiais militares a identificar, durante uma abordagem no bairro da Levada, em Maceió, um aparelho com registro anterior de furto.

O telefone foi verificado pelo IMEI e, após a confirmação da origem ilícita, o homem que estava com o aparelho foi conduzido à Central de Flagrantes e autuado por receptação. O caso mostra como a informação registrada na plataforma pode auxiliar diretamente o trabalho das forças de segurança.

A estratégia também busca atingir uma das pontas do problema: o comércio de aparelhos de procedência criminosa. Segundo o Governo de Alagoas, o programa estadual integra as ações de enfrentamento ao comércio ilegal de celulares e de redução dos crimes relacionados ao roubo e furto desses equipamentos.

Como funciona o Celular Seguro

Para utilizar a plataforma nacional, o cidadão precisa ter uma conta Gov.br. O cadastro pode ser realizado pelo aplicativo Celular Seguro ou pela versão web.

O usuário deve fazer login, aceitar os termos de uso e a política de privacidade e cadastrar o telefone que deseja proteger. É possível registrar mais de um aparelho. Quando a linha estiver vinculada ao CPF de outra pessoa, é necessária a autorização do titular.

Outra ferramenta considerada importante é o cadastro de uma pessoa de confiança. Essa pessoa poderá emitir o alerta em nome do proprietário caso ele não consiga acessar a plataforma depois de ter o celular roubado, furtado ou perdido.

Celular roubado ou furtado? Veja o que fazer

Se o aparelho já estiver cadastrado, o alerta pode ser emitido pelo próprio usuário ou por uma pessoa de confiança previamente cadastrada.

O procedimento é:

  • acessar o Celular Seguro;
  • entrar em “Meus Telefones” ou “Telefones de Confiança”;
  • selecionar o aparelho;
  • clicar em “Alerta”;
  • confirmar o registro.

Ao final, a plataforma gera um número de protocolo para consultas posteriores.

O Governo Federal orienta que o cadastro seja feito antes de qualquer ocorrência. A antecipação é importante justamente porque, depois de um roubo ou furto, o usuário pode ficar sem acesso ao aparelho necessário para realizar o procedimento.

IMEI ajuda a identificar o aparelho

Outro recurso disponível é a consulta de celulares com restrição. Antes de comprar um telefone usado, o consumidor pode verificar se existe registro de roubo, furto ou perda associado ao aparelho.

Para isso, é necessário informar o IMEI, número de identificação exclusivo do celular. O código pode ser descoberto digitando *#06# no teclado de chamadas ou consultando as configurações do próprio aparelho.

A recomendação ganha peso em Alagoas diante do número de aparelhos recuperados pelas forças de segurança. A consulta prévia pode ajudar o consumidor a evitar a compra de um telefone com origem ilícita e, consequentemente, reduzir o espaço para a comercialização de celulares roubados ou furtados.

Alagoas já contabiliza milhares de recuperações

A dimensão do programa estadual ajuda a explicar por que a iniciativa passou a chamar a atenção da população alagoana.

Em março, a SSP realizou uma ação de divulgação no Maceió Shopping para orientar consumidores sobre o funcionamento do programa e permitir que pessoas verificassem se seus aparelhos estavam entre os telefones recuperados. Na ocasião, além dos 2.530 celulares recuperados, a SSP informou que 623 proprietários ainda precisavam ser localizados para a restituição dos aparelhos.

O programa já vinha apresentando resultados expressivos antes disso. Em setembro de 2025, a SSP informou que mais de mil aparelhos haviam sido devolvidos às vítimas desde janeiro daquele ano, enquanto outros 659 estavam disponíveis para restituição.

A evolução demonstra que o registro correto da ocorrência e a identificação do IMEI são fundamentais para conectar o aparelho recuperado ao seu verdadeiro proprietário.

Repercussão: segurança e prevenção caminham juntas

A repercussão do Celular Seguro em Alagoas vai além da recuperação de bens. O programa passou a ser utilizado como ferramenta de apoio às abordagens policiais e de combate à receptação, enquanto as ações de divulgação procuram estimular o cidadão a cadastrar o telefone antes que um crime aconteça.

Na avaliação prática, a lógica é simples: quanto mais aparelhos estiverem corretamente identificados e quanto mais ocorrências forem registradas, maior tende a ser a capacidade de cruzamento de informações pelas autoridades.

No âmbito nacional, o programa é coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e conta com o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), base integrada com informações das 27 unidades da Federação. A plataforma também foi criada para apoiar as forças de segurança na recuperação de aparelhos e no enfrentamento das organizações criminosas que atuam nesse mercado.

Serviço

Quem ainda não cadastrou o celular pode fazer isso antes de ser vítima.

O acesso é feito pelo aplicativo Celular Seguro ou pela versão web da plataforma, utilizando a conta Gov.br.

Também é recomendável:

• cadastrar o aparelho antecipadamente;
• indicar uma pessoa de confiança;
• guardar o IMEI do telefone;
• registrar boletim de ocorrência em caso de roubo ou furto;
• consultar o IMEI antes de comprar um celular usado;
• nunca adquirir aparelho de procedência duvidosa.

Em Alagoas, quem já teve o celular roubado ou furtado também deve ficar atento às convocações da SSP para restituição de aparelhos recuperados.

O programa mostra que, em meio ao avanço dos crimes envolvendo celulares, informação, tecnologia e registro correto da ocorrência podem transformar um aparelho que parecia perdido em um bem novamente devolvido ao seu verdadeiro dono.