As contas do setor público brasileiro registraram déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho de 2026, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central. O resultado considera União, estados, municípios e empresas estatais e ficou acima do déficit de R$ 47,1 bilhões registrado em junho de 2025.

O resultado de junho foi o segundo pior para o mês desde o início da série histórica, ficando atrás apenas dos números registrados durante a pandemia, em 2020 e 2021.

O déficit primário ocorre quando as despesas públicas superam as receitas, sem levar em consideração o pagamento dos juros da dívida.

Governo central concentra maior parte do déficit

A maior parcela do resultado negativo veio do governo central, formado pelo Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social.

Em junho, esse grupo registrou déficit primário de R$ 47,236 bilhões. Estados e municípios tiveram resultado negativo de R$ 6,609 bilhões, enquanto as empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,468 bilhão.

Dentro dos governos regionais, os estados registraram déficit de R$ 8,189 bilhões, enquanto os municípios tiveram superávit de R$ 1,581 bilhão.

A composição mostra que o desempenho do governo central continua sendo determinante para o resultado geral das contas públicas.

Déficit acumulado em 12 meses chega a R$ 157,2 bilhões

Considerando o período de 12 meses encerrado em junho, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$ 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado representa uma piora em relação ao acumulado até maio, quando o déficit correspondia a 1,13% do PIB.

O governo central responde por R$ 139,7 bilhões do resultado acumulado, enquanto estados e municípios registram déficit de aproximadamente R$ 9 bilhões e as empresas estatais, de R$ 8,5 bilhões.

Quando entram os juros, rombo é ainda maior

O resultado primário não inclui os juros da dívida pública. Quando essas despesas são consideradas, chega-se ao chamado resultado nominal.

Em junho, o déficit nominal do setor público consolidado alcançou R$ 166 bilhões.

Somente os juros nominais da dívida consumiram R$ 110,7 bilhões no mês, segundo os dados divulgados pelo Banco Central.

No acumulado de 12 meses, o déficit nominal chegou a aproximadamente 10% do PIB, um dos principais pontos de preocupação para a trajetória das contas públicas brasileiras.

Dívida pública chega a R$ 10,8 trilhões

Outro dado divulgado pelo Banco Central reforça a pressão sobre as finanças públicas.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou 81,94% do PIB em junho, equivalente a aproximadamente R$ 10,8 trilhões.

O percentual representa alta de cerca de 0,9 ponto percentual em relação a maio e é o maior nível em mais de cinco anos.

A dívida bruta considera os débitos do governo federal, estados e municípios, além do INSS.

O avanço da dívida ocorre em um cenário de juros elevados, o que aumenta o custo de financiamento do setor público.

Por que o resultado preocupa?

O déficit primário não significa, isoladamente, que o governo esteja sem dinheiro. O indicador serve para mostrar se as receitas são suficientes para cobrir as despesas públicas antes do pagamento dos juros.

O problema aparece quando os resultados negativos se tornam recorrentes.

A manutenção de déficits elevados pode dificultar a estabilização da dívida pública e aumentar a preocupação de investidores e instituições financeiras com a capacidade do país de equilibrar suas contas.

Com a dívida em alta e o custo dos juros elevado, cresce também a pressão por medidas capazes de melhorar o resultado fiscal.

Impacto para Alagoas

O resultado nacional não significa que as contas do Estado de Alagoas estejam necessariamente na mesma situação. Cada ente federativo possui seu próprio orçamento e resultado fiscal.

No entanto, a situação das contas públicas federais pode produzir efeitos indiretos sobre os estados e sobre a economia local.

Um ambiente de maior risco fiscal tende a pressionar o custo do crédito e pode dificultar condições mais favoráveis para investimentos públicos e privados.

Para Alagoas, o cenário nacional pode ter reflexos em áreas como financiamento de obras, crédito para empresas, investimentos, consumo e geração de empregos.

Além disso, como estados e municípios fazem parte do setor público consolidado, seus resultados também entram na avaliação geral das contas brasileiras.

Mercado acompanha trajetória fiscal

A divulgação dos números aumenta a atenção do mercado para o cumprimento das metas fiscais e para as medidas que poderão ser adotadas pelo governo para conter a deterioração das contas.

O cenário também ocorre em um momento em que as projeções para o resultado primário de 2026 seguem sendo acompanhadas de perto. O Prisma Fiscal de julho, divulgado pelo Ministério da Fazenda, apontou mediana de R$ 58,077 bilhões para o déficit primário do governo central neste ano.

A diferença entre o resultado mensal e as projeções para o ano mostra a importância do comportamento das receitas e despesas nos próximos meses.

O que os números significam para o cidadão?

Na prática, a situação fiscal pode parecer distante da rotina da população, mas seus efeitos podem aparecer no custo do dinheiro e na atividade econômica.

Quando o mercado percebe maior risco nas contas públicas, pode exigir juros mais elevados para financiar o governo. Isso pode contribuir para manter o crédito mais caro para empresas e consumidores.

A evolução da dívida também é importante porque uma parcela crescente do orçamento público pode ser destinada ao pagamento de juros, reduzindo o espaço para investimentos e outras despesas.

Por isso, o desempenho das contas públicas será um dos principais pontos de atenção da economia brasileira no segundo semestre de 2026.

Números principais

Déficit primário em junho: R$ 55,3 bilhões
Déficit em junho de 2025: R$ 47,1 bilhões
Déficit acumulado em 12 meses: R$ 157,2 bilhões
Déficit em 12 meses: 1,19% do PIB
Déficit nominal em junho: R$ 166 bilhões
Dívida bruta em junho: 81,94% do PIB
Dívida bruta: aproximadamente R$ 10,8 trilhões
Juros nominais em junho: R$ 110,7 bilhões