O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (24) que o equilíbrio das contas públicas é um dos principais pontos para garantir um crescimento econômico sustentável no Brasil. Segundo ele, o avanço na área fiscal é necessário para criar condições para a redução dos juros e fortalecer a capacidade do país de enfrentar um cenário internacional marcado por incertezas.

A declaração foi feita durante um painel da Expert XP, em São Paulo. Na avaliação do ministro, o governo já conseguiu avançar em diferentes indicadores econômicos e sociais, mas ainda precisa concluir o que chamou de uma "última milha" na agenda fiscal.

Para Durigan, o fortalecimento das contas públicas pode ajudar a reduzir o custo dos juros e abrir espaço para políticas que tenham impacto direto na vida da população.

"Se desigualdade é uma coisa que incomoda, se é a renda baixa que incomoda, se tarifa absurda ao Brasil que incomoda, o fiscal é a 'pedra de toque' para que a gente deixe o país forte, mais robusto", afirmou o ministro durante o evento.

Governo destaca indicadores positivos

Durante a apresentação, Durigan citou como resultados positivos da atual gestão a redução dos níveis de desigualdade, o controle da inflação, a geração de aproximadamente 5 milhões de empregos e o desempenho recorde da balança comercial.

Apesar dos avanços, o ministro reconheceu que a situação fiscal continua sendo um dos principais desafios da economia brasileira. Segundo ele, é necessário avançar na trajetória de redução do endividamento e criar condições para que os juros permaneçam em níveis mais baixos.

A preocupação com as contas públicas ocorre em um momento de maior atenção do mercado à evolução da dívida e ao cumprimento das metas fiscais. Para o governo, a responsabilidade fiscal precisa caminhar junto com a manutenção de investimentos e programas sociais.

Orçamento de 2027 terá meta de superávit

Durigan afirmou que o governo deverá encaminhar até 31 de agosto a proposta orçamentária para 2027. A previsão apresentada pelo ministro é de uma meta de superávit primário equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

De acordo com ele, o planejamento orçamentário deverá contemplar os programas sociais já previstos, sem a criação de novas despesas sem a correspondente previsão de recursos.

O ministro também defendeu que o país mantenha uma trajetória de responsabilidade fiscal para se tornar mais resistente a possíveis choques externos. A avaliação é de que um ambiente internacional cada vez mais instável exige maior solidez das contas públicas brasileiras.

Reforma tributária também entra no debate

A discussão sobre o crescimento econômico ocorre paralelamente à implementação da reforma tributária. Em declarações anteriores, Durigan afirmou que a mudança no sistema de impostos pode gerar ganhos estruturais para a economia brasileira, embora o governo ainda não tenha elementos suficientes para incorporar eventuais efeitos positivos nas projeções oficiais de crescimento para 2027.

O ministro também já destacou que um dos principais desafios para a implementação da reforma é preservar os acordos políticos construídos durante a aprovação das novas regras.

Para Durigan, a combinação entre responsabilidade fiscal, estabilidade de preços e reformas estruturais será determinante para ampliar o potencial de crescimento do país nos próximos anos.

A equipe econômica trabalha para conciliar a busca pelo equilíbrio das contas públicas com a manutenção de políticas sociais e investimentos. O desafio, segundo o ministro, é avançar nessa agenda sem comprometer a capacidade do Estado de atender às demandas da população.