O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) voltou ao centro do cenário político após confirmar a intenção de disputar uma vaga de deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026. O anúncio ocorre em meio a uma investigação conduzida pela Polícia Federal que apura suspeitas de participação em um esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares.

Nos últimos dias, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6 milhões em bens de Cunha. A medida foi tomada no âmbito de um inquérito que investiga a suposta utilização indevida de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares. Segundo a decisão, há indícios de que o ex-deputado teria influenciado a destinação de verbas mesmo sem exercer mandato eletivo, situação que, se comprovada, contraria as regras para indicação desses recursos.

A investigação integra um conjunto de apurações sobre possíveis irregularidades envolvendo emendas da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. Conforme informações reunidas pela Polícia Federal, diálogos e planilhas apreendidos durante a investigação apontariam para a atuação de Cunha na articulação da distribuição de verbas públicas direcionadas, principalmente, ao estado de Minas Gerais.

A defesa de Eduardo Cunha nega qualquer irregularidade e afirma que o ex-deputado não havia sido previamente ouvido antes da adoção das medidas cautelares. Os advogados também sustentam que ele não participou de qualquer esquema de desvio de recursos públicos.

Apesar do cenário jurídico, Cunha confirmou que pretende concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados representando Minas Gerais. Em declarações recentes, afirmou que escolheu o estado por considerar que ele reúne características representativas do país e por possuir forte relevância política e econômica. Caso a candidatura seja oficializada, será a primeira tentativa de eleição por Minas, depois de ter exercido quatro mandatos como deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Figura de destaque na política nacional durante a última década, Eduardo Cunha presidiu a Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016 e teve papel central na condução do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. No mesmo período, tornou-se alvo de investigações da Operação Lava Jato, acabou afastado do mandato por decisão do STF e, posteriormente, teve o mandato cassado pela Câmara por quebra de decoro parlamentar.

A nova investigação envolvendo emendas parlamentares amplia os desafios enfrentados pelo ex-presidente da Câmara justamente no momento em que busca reconstruir sua trajetória política. O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, sem conclusão definitiva sobre as acusações.