As eleições de 2026 entraram oficialmente em uma nova etapa nesta semana, com o início do período destinado às convenções partidárias. A partir de agora, as legendas podem formalizar candidaturas e definir alianças para a disputa presidencial, aos governos estaduais, ao Senado e às Câmaras Federal e estaduais.

O calendário estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que as convenções sejam realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. Depois dessa etapa, os partidos terão até 15 de agosto para registrar oficialmente as candidaturas, enquanto a propaganda eleitoral poderá começar a partir de 16 de agosto.

Em nível nacional, duas movimentações chamam a atenção neste início da reta decisiva: a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ainda não tem vice definido, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha com um calendário próprio para a formalização de sua candidatura.

A indefinição sobre os vices é considerada estratégica porque a escolha pode ajudar a ampliar alianças e buscar votos em regiões onde os candidatos apresentam maior dificuldade de penetração.

Flávio ainda procura nome para vice

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, chega ao período de convenções sem ter anunciado oficialmente quem ocupará a segunda posição da chapa.

A escolha do vice é tratada como uma das principais decisões da campanha. O nome escolhido poderá cumprir diferentes funções políticas, como ampliar o diálogo com setores do eleitorado, fortalecer alianças partidárias ou aumentar a presença regional da chapa.

Entre os nomes especulados estão mulheres ligadas à política nacional, em uma tentativa de ampliar a composição da candidatura e apresentar uma chapa com maior diversidade regional e política. Até o momento, porém, não há confirmação oficial sobre quem será o escolhido.

A definição também poderá influenciar diretamente as articulações nos estados, já que os partidos aliados à candidatura presidencial tendem a negociar apoio às chapas estaduais e ao Senado.

Lula deixa formalização para agosto

Do outro lado da disputa, o presidente Lula também não deve realizar imediatamente a convenção para oficializar sua candidatura à reeleição.

O calendário eleitoral permite que os partidos realizem as convenções até 5 de agosto. A estratégia de deixar a formalização para o período final dá ao grupo governista mais tempo para concluir negociações políticas e avaliar o cenário nacional antes da oficialização da chapa.

A disputa presidencial chega a essa fase marcada pela polarização entre Lula e o grupo político ligado ao bolsonarismo. Pesquisas recentes apontam cenários competitivos, embora os números variem conforme o instituto e a simulação de primeiro ou segundo turno. Um levantamento da Quaest divulgado em julho, por exemplo, indicou vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno.

Impacto pode chegar diretamente a Alagoas

Em Alagoas, a definição das chapas nacionais tende a influenciar as articulações políticas para o governo do Estado e, principalmente, para as duas vagas ao Senado que estarão em disputa em 2026.

A formação das alianças nacionais pode provocar mudanças nos palanques estaduais. Partidos que eventualmente estejam juntos na corrida presidencial podem não repetir a mesma composição em Alagoas, enquanto grupos adversários na disputa nacional podem construir acordos regionais.

Esse cenário torna os próximos dias importantes para as lideranças políticas alagoanas. A definição dos candidatos a vice e das alianças nacionais poderá alterar o equilíbrio das forças políticas no estado e influenciar as negociações para as chapas majoritárias.

A disputa pelo Senado deve ser um dos principais focos da eleição em Alagoas. Com duas cadeiras em jogo, partidos e grupos políticos devem intensificar as conversas para definir nomes competitivos e formar alianças capazes de ampliar o tempo de propaganda e a estrutura eleitoral.

Palanques presidenciais podem ser diferentes no estado

Outro ponto de atenção será a formação dos palanques de Lula e Flávio Bolsonaro em Alagoas.

O estado possui histórico de forte presença eleitoral do presidente Lula, mas também reúne grupos políticos alinhados ao bolsonarismo. Essa combinação pode produzir uma eleição marcada por disputas internas e alianças diferentes das observadas em outros estados do Nordeste.

A escolha dos candidatos à Presidência e dos respectivos vices deverá servir como referência para parte dessas articulações. Entretanto, as alianças estaduais não necessariamente seguirão de forma automática as composições nacionais.

Para os partidos alagoanos, o desafio será conciliar os interesses locais com as estratégias das direções nacionais. Em alguns casos, a prioridade será fortalecer a disputa pelo governo; em outros, garantir cadeiras no Senado ou ampliar a bancada na Câmara dos Deputados.

Convenções aceleram decisões

Com o calendário oficial em andamento, as próximas duas semanas devem ser marcadas por uma intensa movimentação política.

Até 5 de agosto, os partidos precisarão definir oficialmente seus candidatos e alianças. Em seguida, as legendas terão mais dez dias para registrar as candidaturas junto à Justiça Eleitoral.

A partir de 16 de agosto, terá início oficialmente a propaganda eleitoral, quando os candidatos poderão ampliar a exposição pública e apresentar suas propostas ao eleitorado.

Em Alagoas, o período será acompanhado de perto por partidos, pré-candidatos e lideranças políticas, especialmente diante da disputa pelas duas vagas ao Senado e da formação dos grupos que estarão na corrida pelo Palácio República dos Palmares.

A indefinição nacional, portanto, não representa apenas uma questão relacionada à disputa presidencial. A escolha do vice de Flávio Bolsonaro e o momento escolhido pelo grupo de Lula para oficializar a candidatura podem desencadear novas negociações políticas nos estados.

Em Alagoas, a expectativa é de que as próximas semanas sejam decisivas para a definição dos palanques e das alianças que deverão marcar a eleição de 2026.