A corrida pela Presidência da República em 2026 começou oficialmente nesta semana com candidatos de diferentes correntes políticas apresentando propostas para áreas como segurança pública, economia, meio ambiente e infraestrutura. Apesar do forte contraste entre os discursos, documentos de campanha mostram que Lula (PT) e nomes da oposição, como Flávio Bolsonaro (PL), também defendem medidas semelhantes em alguns temas.
Um levantamento publicado pela imprensa a partir dos programas de governo dos candidatos identificou pelo menos dez pontos de convergência entre Lula e Flávio Bolsonaro. Entre eles estão o combate ao desmatamento, o reforço da fiscalização das fronteiras, investimentos em infraestrutura hídrica, redução da conta de energia e ampliação da conectividade em áreas rurais.
As diferenças aparecem principalmente na forma como cada candidato pretende colocar essas propostas em prática e na prioridade dada a determinados assuntos.
1. Segurança pública e combate ao crime organizado
A segurança pública se tornou um dos principais temas da disputa presidencial. Lula e Flávio Bolsonaro defendem o enfrentamento às facções criminosas, mas apresentam estratégias diferentes.
O programa de Lula aposta em maior participação do governo federal, integração entre forças de segurança, inteligência e ações de prevenção. O presidente também defende medidas para atingir financeiramente as organizações criminosas.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta uma abordagem mais voltada ao endurecimento das punições, criação de novos presídios de segurança máxima, ampliação da vigilância tecnológica e classificação de facções como organizações terroristas.
Apesar das divergências, os dois programas citam medidas como controle das fronteiras, isolamento de lideranças criminosas e combate à estrutura financeira das facções.
2. Meio ambiente e combate ao desmatamento
Outro ponto de aproximação está na política ambiental. Os dois candidatos apresentam metas para reduzir o desmatamento ilegal e ampliar o combate aos crimes ambientais.
Lula estabelece como objetivo zerar o desmatamento até 2030. Já Flávio Bolsonaro prevê antecipar essa meta para 2029.
Embora a questão ambiental seja tratada de maneira diferente nos discursos dos dois grupos políticos, os programas apresentam compromissos relacionados à preservação de recursos naturais e ao fortalecimento da fiscalização.
3. Infraestrutura hídrica
A ampliação da infraestrutura para garantir segurança hídrica também aparece entre os pontos comuns.
Os programas mencionam obras como barragens, sistemas de drenagem e outras estruturas destinadas ao armazenamento e à distribuição de água.
A transposição do Rio São Francisco também aparece nos documentos. Lula destaca a conclusão do projeto durante seus governos e propõe ampliar ações relacionadas à infraestrutura hídrica. Flávio Bolsonaro também prevê investimentos no setor.
O tema tem importância especial para regiões que enfrentam períodos de estiagem e problemas de abastecimento.
4. Energia mais barata
Outro ponto citado nos programas é a intenção de reduzir o peso da conta de luz para os consumidores.
Os candidatos também defendem a manutenção ou ampliação de mecanismos de tarifa social voltados para famílias de baixa renda.
A diferença está nas estratégias apresentadas para alcançar esse objetivo e no modelo de política energética defendido por cada campanha.
5. Conectividade e desenvolvimento tecnológico
A expansão do acesso à internet e à infraestrutura digital também aparece como uma prioridade compartilhada.
Os programas defendem o avanço da conectividade em áreas rurais, com a intenção de ampliar o acesso da população a serviços digitais, educação e oportunidades econômicas.
Os documentos também mencionam investimentos relacionados a novas tecnologias e à infraestrutura necessária para o desenvolvimento da economia digital.
Diferenças continuam marcantes
Apesar dos pontos em comum, Lula e os candidatos da oposição apresentam diferenças significativas em temas econômicos, sociais e na própria concepção sobre o papel do Estado.
O programa de Lula destaca políticas sociais, valorização do trabalho, redução das desigualdades e participação do Estado em áreas estratégicas. O documento também amplia o discurso sobre soberania nacional, tema que ganhou mais espaço em relação ao programa apresentado pelo petista em 2022.
Na oposição, propostas de redução da participação estatal, endurecimento na segurança pública e mudanças na estrutura administrativa aparecem com maior frequência.
A existência de propostas semelhantes, portanto, não significa que os candidatos apresentem os mesmos projetos de governo. Em muitos casos, a convergência está apenas no objetivo final, enquanto os caminhos para alcançar os resultados são diferentes.
A disputa eleitoral deve ampliar a discussão sobre esses programas nas próximas semanas, com os candidatos detalhando custos, prioridades e mecanismos para colocar as promessas em prática.
