Os números mais recentes da PNAD Contínua Trimestral, referentes ao 2º trimestre de 2026, acendem um alerta para o mercado de trabalho de Alagoas. O Estado aparece com o pior nível de ocupação do Brasil: 47,5%. Na prática, menos da metade da população em idade de trabalhar está ocupada. O índice está 19,8 pontos percentuais abaixo de Mato Grosso, que lidera o indicador, com 67,3%.

Outro dado chama atenção: Alagoas apresenta a maior taxa combinada de desocupação e força de trabalho potencial do país, com 18,1%. O indicador considera, além dos desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar, mas estão fora da força de trabalho oficial. O percentual alagoano supera Maranhão e Piauí, ambos com 17,4%, e é 5,8 vezes maior que o registrado em Santa Catarina, de 3,1%.

O cenário também aparece no indicador de desalento. Em Alagoas, 8,1% da população desistiu de procurar emprego, segundo o levantamento, colocando o Estado na segunda pior posição do país. O dado é particularmente preocupante porque o desalento representa pessoas que deixaram de procurar trabalho por não acreditarem que encontrarão uma oportunidade.

Em 12 meses, o desalento aumentou 1,2 ponto percentual em Alagoas, enquanto caiu em 22 estados e permaneceu estável em outros quatro. Segundo o estudo, Alagoas foi a única unidade da Federação a registrar aumento nesse período.

Um problema que vai além da taxa de desemprego

Os números ajudam a explicar por que olhar apenas para a taxa tradicional de desemprego pode esconder parte importante da realidade alagoana.
Considerando a relação entre o nível de ocupação e a participação na força de trabalho, o estudo estima uma desocupação de aproximadamente 7,9%. Isoladamente, o número poderia parecer menos preocupante. Entretanto, quando são incorporados os trabalhadores potenciais, desalentados e subocupados, a taxa combinada chega a 18,1%, a pior do Brasil.

O retrato, portanto, não é apenas de falta de empregos. É também de baixa participação, desistência da procura por trabalho e dificuldade de transformar a população economicamente ativa em ocupação e renda.

JHC questiona modelo de desenvolvimento e defende geração de oportunidades

O cenário é utilizado pelo candidato ao Governo de Alagoas, JHC (PSDB), como argumento para defender uma mudança na estratégia de desenvolvimento econômico do Estado.

O plano de governo de JHC reúne propostas voltadas à geração de empregos, fortalecimento do empreendedorismo e interiorização do desenvolvimento. Entre elas estão o Empreende Alagoas, Alagoas Trabalha, Banco da Mulher Alagoana, Alagoas Potência, Alagoas que Produz e Sertão que Produz, além de iniciativas para infraestrutura e logística, como a Rede de Matadouros Públicos Regionais, o Ramal Alagoas da Transnordestina e o Irriga Alagoas.

A estratégia também inclui o Alagoas de Ponta a Ponta, para ampliar o turismo no interior; Internacionalização e Exportações, para inserir produtos alagoanos em novos mercados; e o Alagoas Mais Competitiva, com revisão da política tributária e estímulo a investimentos. Em conjunto, as propostas buscam descentralizar a economia, fortalecer pequenos negócios e produtores, atrair investimentos e ampliar as oportunidades de trabalho e renda nos 102 municípios de Alagoas.

Os dados da PNAD colocam essa discussão no centro do debate eleitoral: com menos da metade da população em idade de trabalhar efetivamente ocupada e quase um em cada cinco trabalhadores enquadrado na taxa combinada de desocupação e força de trabalho potencial, o desafio de transformar crescimento econômico em trabalho e renda permanece entre os principais problemas econômicos de Alagoas.