O governo dos Estados Unidos voltou a avaliar a possibilidade de aplicar novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada neste domingo (16) pelo jornal britânico Financial Times, que citou pessoas familiarizadas com as discussões.

Segundo a publicação, a possibilidade de novas medidas contra o magistrado ganhou força após decisões recentes relacionadas a uma investigação envolvendo o jornalista Luís Pablo e uma de suas supostas fontes. O caso provocou novos questionamentos de autoridades norte-americanas sobre liberdade de imprensa e a atuação do Judiciário brasileiro.

A eventual retomada das sanções ocorre em um cenário de crescente tensão entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil. As relações entre os dois países já foram afetadas por divergências comerciais, diplomáticas e políticas nos últimos meses.

Moraes já foi sancionado pelos EUA

Alexandre de Moraes foi incluído, em julho de 2025, na lista de pessoas submetidas a sanções pelo governo norte-americano com base na Lei Global Magnitsky. Na ocasião, os Estados Unidos alegaram violações de direitos humanos relacionadas à atuação do ministro em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras investigações.

As medidas incluíam restrições financeiras e o bloqueio de eventuais ativos sob jurisdição dos Estados Unidos. As sanções, porém, foram retiradas pelo governo norte-americano em dezembro de 2025, após um período de negociações diplomáticas.

Investigação envolvendo jornalista

A discussão sobre novas medidas ganhou força após uma operação autorizada por Moraes contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão apontado como fonte do jornalista Luís Pablo.

A investigação teve origem em publicações do jornalista sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino e familiares. A operação provocou reação de entidades ligadas à imprensa e também dentro do próprio STF.

O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, afirmou recentemente que o Supremo mantém compromisso com o direito fundamental dos jornalistas ao sigilo de fonte e indicou que o tema poderá ser levado ao plenário do tribunal.

Novas sanções ainda não foram anunciadas

Apesar das discussões relatadas pelo Financial Times, não há confirmação de que os Estados Unidos tenham decidido aplicar novamente as sanções contra Moraes.

Uma eventual medida representaria mais um capítulo da crise diplomática entre Washington e Brasília, que também envolve questões comerciais e divergências sobre decisões judiciais e política interna brasileira.