Os Estados Unidos devem publicar nos próximos dias o resultado da investigação comercial contra o Brasil por supostas práticas desleais. O governo americano acena para a aplicação de tarifas e sanções retaliatórias após acusações de ilegalidades nos setores de comércio digital, pagamentos eletrônicos e propriedade intelectual.
O Palácio do Planalto aguarda a notificação oficial de Washington para avaliar possíveis correções em suas políticas comerciais antes da imposição das penalidades.
Representantes do governo dos Estados Unidos sinalizaram a executivos do setor privado que haverá um prazo para adequação antes do início das sanções. Empresas e entidades que defendem o setor produtivo brasileiro intensificam os contatos com as autoridades americanas diante do risco iminente de barreiras alfandegárias.
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O anúncio de novas tarifas comerciais viria na esteira da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
Nos próximos dias, o presidente Lula deve ligar para Donald Trump para tentar reverter a nova rotulagem.
Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida unilateral pode gerar sanções; afetar o sistema bancário e e até a infraestrutura do Pix.
Uma sondagem inédita da CNI mostra que a infiltração do crime organizado no setor formal tira 39 bilhões de reais da indústria por ano.
No Rio, o Coaf identificou R$ 44 bilhões em movimentações suspeitas de ligação com quadrilhas no setor bancário só em três meses.
Nova ligação de Lula para Trump

O presidente Lula deve ligar para Donald Trump nos próximos dias para tentar reverter a classificação do PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A informação foi revelada pelo ministro da Fazenda ao jornal O Globo. Dario Durigan alertou que a decisão do Departamento de Estado americano ameaça a economia brasileira.
O ministro afirmou que a medida unilateral pode gerar sanções e afetar o sistema bancário; fintechs e até a infraestrutura do Pix. O governo federal estuda conceder apoio financeiro a empresas prejudicadas pela decisão americana sobre as facções criminosas.
O Ministério da Fazenda pretende repetir o modelo adotado no ano passado durante o tarifaço da gestão Trump, priorizando o diálogo diplomático para evitar contaminação no risco-país. Mais cedo, o ministro disse que já conversou com os presidentes dos principais bancos brasileiros sobre a decisão do governo americano.
Dario Durigan afirmou que a classificação dos Estados Unidos é uma interferência externa, e a economia brasileira pode ser afetada, com um aumento da percepção de risco, a diminuição de investimentos e até sanções a bancos.
Na ligação para Trump, a intenção de Lula é reforçar o compromisso com o combate ao crime organizado e tentar reverter os efeitos da medida assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. O governo Trump alega que o Comando Vermelho e o PCC já atuam em 12 estados americanos.
Nessa sexta-feira (29), a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, convocou uma reunião de emergência para avaliar o impacto do novo status das facções. Participaram do encontro os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Dario Durigan, da Fazenda.
O Palácio do Planalto afirmou em nota que o Brasil é uma nação soberana e mantém o combate permanente contra as facções criminosas. O texto destaca que o crime organizado atua para obter lucro e não pode ser confundido com o terrorismo internacional.
A nota afirma que a decisão de Washington foi motivada por manipulação política e classifica como deplorável a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para defender uma intervenção estrangeira. O comunicado reforça que a soberania nacional é inegociável e rejeita qualquer interferência externa nos assuntos domésticos.
Durante discurso em Sergipe, o presidente Lula criticou a decisão do governo americano e classificou Flávio Bolsonaro como “traidor da Pátria”. Durante um evento político em Curitiba, o senador Flávio Bolsonaro rebateu as críticas do presidente Lula.
