A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 ganhou espaço na campanha para a Presidência da República nas eleições de 2026. A proposta, que prevê mudanças na jornada dos trabalhadores brasileiros, passou a integrar os programas e discursos de diferentes candidatos ao Palácio do Planalto.

De acordo com informações divulgadas pelo R7 e documentos apresentados pelas campanhas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Samara Martins (PSOL) defendem mudanças no atual modelo. Já Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) apresentam posições contrárias à proposta ou defendem alternativas baseadas em maior flexibilidade nas relações de trabalho.

A discussão ocorre paralelamente à tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado. O texto prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, manutenção dos salários e dois dias de descanso remunerado por semana.

O que prevê a proposta

A PEC em discussão estabelece uma mudança gradual na jornada máxima de trabalho.

O texto aprovado pela Câmara prevê inicialmente a redução da jornada para 42 horas semanais, com adoção da escala 5x2. Após um período de transição, o limite chegaria a 40 horas semanais, sem redução salarial.

A proposta também determina dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente aos domingos.

A medida ainda não está em vigor. A PEC chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e terá como relator o senador Omar Aziz (PSD-AM). Depois da análise da comissão, ainda precisará ser votada pelo Plenário do Senado em dois turnos.

Lula defende redução da jornada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, incorporou o fim da escala 6x1 à sua agenda de campanha.

A proposta defendida pelo petista prevê uma jornada de 40 horas semanais, sem redução de salários, e dois dias de descanso.

Em atos recentes, Lula voltou a defender a mudança e afirmou que a aprovação depende da composição do Congresso Nacional. O presidente também tem pedido votos para candidatos aliados ao Legislativo, relacionando a eleição de deputados e senadores à possibilidade de avanço de sua agenda.

Flávio Bolsonaro defende flexibilidade

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, apresenta uma posição diferente em relação à mudança constitucional.

Seu plano de governo defende maior flexibilidade nas relações de trabalho, em vez de uma imposição geral de alteração da jornada.

A equipe econômica da campanha também criticou a proposta de fim da escala 6x1. Daniella Marques, coordenadora da área econômica de Flávio, classificou a medida como populista e defendeu maior liberdade para negociações entre empregados e empregadores.

O posicionamento aparece em um programa que também propõe mudanças na legislação trabalhista e redução dos custos relacionados à contratação formal.

Renan Santos também é contrário

O candidato Renan Santos, do partido Missão, também se posiciona contra a alteração da escala nos moldes atualmente discutidos.

Segundo o levantamento realizado pelo R7 a partir dos programas de governo, a proposta defendida pelo candidato está relacionada à ampliação da flexibilidade nas relações trabalhistas e à redução de encargos sobre a contratação de trabalhadores.

Caiado questiona formato da proposta

O candidato Ronaldo Caiado, do PSD, tem feito críticas à forma como o debate sobre a escala 6x1 vem sendo conduzido.

Durante participação em fórum de debates com presidenciáveis, Caiado classificou a discussão como “populista” e “eleitoreira”. O candidato defendeu que uma eventual mudança seja discutida entre trabalhadores e empresários e não simplesmente imposta por uma alteração constitucional.

Zema é contrário à mudança

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência, também aparece entre os candidatos que não apoiam o fim da escala 6x1 nos termos propostos.

A posição apresentada no levantamento do R7 está associada à defesa de maior flexibilidade nas relações de trabalho e à avaliação dos possíveis impactos econômicos de uma mudança obrigatória na jornada.

Debate chega ao Congresso em meio à campanha

A discussão eleitoral ocorre ao mesmo tempo em que o Congresso Nacional analisa a PEC.

No Senado, a proposta passou a tramitar na CCJ e deverá ser analisada nas próximas semanas. O governo Lula tem interesse na aprovação antes das eleições, enquanto setores empresariais defendem maior discussão sobre os impactos da mudança em diferentes atividades econômicas.

O texto aprovado pela Câmara ainda pode sofrer alterações durante a tramitação no Senado. Caso os senadores modifiquem a proposta, o texto terá de retornar à Câmara dos Deputados.

Entenda a escala 6x1

Na escala 6x1, o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e tem um dia de descanso.

A proposta em discussão busca substituir esse modelo por uma organização que garanta dois dias de descanso semanal, além de reduzir a jornada máxima de trabalho.

A eventual mudança, porém, ainda depende da aprovação da PEC pelo Congresso Nacional. Portanto, as regras atuais continuam valendo para os trabalhadores enquanto a proposta não for aprovada e promulgada.