A segurança pública voltou a ocupar espaço de destaque nos planos de governo dos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. Entre as principais propostas estão o uso ampliado de tecnologias de monitoramento, mudanças no sistema penitenciário e maior integração entre as forças de segurança.
Os programas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam estratégias distintas para enfrentar a criminalidade. Enquanto Lula defende a ampliação do uso de câmeras corporais pelas polícias, com a criação de padrões nacionais para utilização e armazenamento das imagens, Flávio propõe um sistema nacional de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais.
As informações constam dos programas de governo apresentados pelos candidatos e foram detalhadas pelo R7, além de terem sido repercutidas por veículos como Folha de S.Paulo, CNN Brasil, UOL e Band.
Flávio quer levar modelo de São Paulo para todo o país
O candidato do PL propõe a criação da chamada “Muralha Brasileira”, um sistema nacional de reconhecimento facial conectado a bancos de dados criminais.
A ideia toma como referência duas iniciativas implementadas em São Paulo: o Smart Sampa, da Prefeitura da capital, e o Muralha Paulista, desenvolvido pelo governo estadual durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas.
Segundo o plano de Flávio, a tecnologia seria utilizada para localizar foragidos e ampliar o monitoramento de áreas consideradas estratégicas, incluindo espaços públicos, portos e aeroportos.
A proposta prevê ainda a instalação de mais de 1 milhão de novas câmeras em todo o território nacional. O objetivo, segundo o programa, seria ampliar a capacidade de prevenção e investigação de crimes por meio de ferramentas de inteligência artificial e integração de informações.
A proposta de utilizar os modelos paulistas como referência já havia sido apresentada por Flávio em declarações anteriores. O candidato afirma que pretende levar para outros estados experiências que, na avaliação dele, apresentaram resultados positivos em São Paulo.
Lula defende ampliação das câmeras corporais
O plano de governo de Lula segue outra linha. O candidato petista propõe ampliar a utilização de câmeras corporais por policiais e estabelecer regras nacionais para a utilização, gestão e preservação das imagens produzidas pelos equipamentos.
A proposta está inserida em um conjunto de medidas voltadas à integração das forças de segurança e ao fortalecimento dos mecanismos de controle da atividade policial.
O programa também prevê a criação de um Ministério da Segurança Pública, caso seja aprovada a mudança constitucional necessária, além do fortalecimento da cooperação entre União, estados e municípios.
Outro ponto destacado é a criação de um Pacto Nacional de Execução Penal para o Enfrentamento ao Crime Organizado, com medidas voltadas ao sistema penitenciário e ao isolamento de lideranças criminosas.
Estratégias diferentes contra as organizações criminosas
Apesar das diferenças, os dois programas apresentam alguns pontos de convergência. Lula e Flávio defendem maior utilização de tecnologia e inteligência no combate às organizações criminosas, além de medidas para atingir financeiramente grupos envolvidos com atividades ilícitas.
Lula aposta no bloqueio e confisco de recursos ligados às organizações criminosas, no fortalecimento das forças integradas e na ampliação da inteligência policial.
Flávio, por sua vez, propõe classificar facções como organizações narcoterroristas, endurecer penas, ampliar o sistema penitenciário e criar cinco novos presídios federais de segurança máxima. O plano também prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e punições específicas para adolescentes a partir dos 14 anos envolvidos em crimes graves.
Tecnologia é aposta comum
A utilização de câmeras aparece, portanto, com objetivos diferentes nos dois programas.
No caso de Flávio, o foco está no monitoramento urbano e no reconhecimento de pessoas, com a integração das imagens a bancos de dados criminais.
Na proposta de Lula, as câmeras são direcionadas principalmente ao acompanhamento da atuação policial, com a intenção de ampliar mecanismos de controle, transparência e fiscalização das forças de segurança.
A diferença reflete duas concepções distintas apresentadas pelos candidatos para a área: de um lado, maior investimento em vigilância tecnológica e endurecimento das medidas penais; de outro, integração institucional, inteligência, prevenção e mecanismos de controle da atividade policial.
As propostas ainda dependem de medidas legislativas, regulamentações e, em alguns casos, de mudanças constitucionais para serem implementadas.
