Moradores de áreas sujeitas a deslizamentos podem contar com uma nova ferramenta para acompanhar a previsão de risco de movimentos de massa em diferentes regiões do país. Desenvolvido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o GeoRisk apresenta mapas que ajudam a identificar locais com maior possibilidade de ocorrência de deslizamentos de terra.
A plataforma reúne informações meteorológicas e ambientais e transforma esses dados em uma análise dinâmica do risco. Entre os elementos considerados estão as condições de chuva, características do terreno e a suscetibilidade de determinadas áreas aos movimentos de massa.
A proposta é oferecer uma ferramenta complementar para o trabalho de monitoramento e prevenção de desastres naturais.
Como funciona o GeoRisk
O sistema permite selecionar diferentes datas de previsão e consultar o risco estimado para determinadas áreas. O usuário também pode pesquisar diretamente pelo nome de um município.
No mapa, o GeoRisk apresenta uma escala que vai de extremamente baixo a extremamente alto, permitindo visualizar de forma mais simples como está o cenário de risco em cada região.
A classificação utilizada pela plataforma é dividida em sete níveis:
- Extremamente alto: índice igual ou superior a 3,4;
- Muito alto: de 2,6 a menos de 3,4;
- Alto: de 1,8 a menos de 2,6;
- Moderado: de 1 a menos de 1,8;
- Baixo: de 0,7 a menos de 1;
- Muito baixo: de 0,4 a menos de 0,7;
- Extremamente baixo: abaixo de 0,4.
O mapa também disponibiliza informações sobre chuva efetiva acumulada, previsão de precipitação e registros pontuais de deslizamentos.
Alagoas também pode ser acompanhado pela plataforma
A ferramenta tem importância especial para estados como Alagoas, onde períodos de chuva podem aumentar a preocupação com áreas de encosta e terrenos mais suscetíveis a movimentos de massa.
O próprio Cemaden já incluiu Alagoas em previsões de riscos geo-hidrológicos relacionadas a períodos de chuva. Em situações anteriores, o órgão apontou atenção para a faixa leste do estado e de outros estados do Nordeste em razão da combinação entre acumulados de chuva, previsão meteorológica e características de suscetibilidade do terreno.
Em julho, por exemplo, o Cemaden apontou possibilidade moderada de eventos hidrológicos na Região Geográfica Intermediária de Maceió em um cenário de chuva e acumulados registrados nas horas anteriores.
Isso não significa que todo município ou área apontada pelo sistema esteja necessariamente prestes a registrar um deslizamento. A ferramenta trabalha com previsão de risco, servindo como instrumento para acompanhamento e planejamento de ações preventivas.
Tecnologia ajuda a antecipar situações de perigo
O GeoRisk foi desenvolvido para padronizar a análise do risco de deslizamentos a partir da combinação de diferentes parâmetros meteorológicos e ambientais.
Segundo o Cemaden, a ferramenta contribui para aumentar a assertividade da previsão de riscos geo-hidrológicos produzida diariamente pelo órgão para o território brasileiro.
Na prática, informações como a quantidade de chuva registrada, a precipitação prevista e as características naturais do terreno podem ser analisadas conjuntamente para identificar regiões onde a possibilidade de movimentação do solo pode aumentar.
A tecnologia também permite que os dados sejam visualizados de maneira espacial, facilitando a identificação de áreas que merecem maior atenção.
Como consultar o risco de deslizamentos
A consulta pode ser feita gratuitamente pela internet, diretamente na plataforma oficial do GeoRisk.
O usuário pode escolher a data disponível, pesquisar um município e observar no mapa a classificação de risco indicada para a região. Também é possível consultar informações complementares sobre chuva e ocorrências de deslizamentos.
Acesse o GeoRisk: GeoRisk – Cemaden
Ferramenta não substitui alertas da Defesa Civil
Apesar de ser útil para acompanhamento e prevenção, o GeoRisk não deve ser interpretado como substituto dos alertas oficiais ou das orientações das Defesas Civis.
Em uma situação de chuva intensa, moradores de áreas de encosta devem ficar atentos a sinais como rachaduras em paredes e no terreno, árvores ou postes inclinados, surgimento de água em locais incomuns e movimentação do solo.
O Cemaden mantém ainda outros serviços de acompanhamento, incluindo o painel de alertas em tempo real e a previsão diária de riscos geo-hidrológicos.
Prevenção pode evitar tragédias
Para cidades com áreas de encosta e ocupações próximas a regiões suscetíveis, o monitoramento antecipado é uma das principais ferramentas de prevenção.
Em Alagoas, especialmente durante períodos de chuvas mais intensas, acompanhar as informações oficiais pode ajudar moradores, órgãos públicos e equipes de Defesa Civil a identificar situações que exigem atenção e reduzir a exposição da população aos riscos.
A orientação é que qualquer situação de perigo seja comunicada imediatamente à Defesa Civil do município, seguindo os canais oficiais de atendimento de cada cidade.
