O governo federal afirmou nesta quinta-feira (16) que manteve uma atuação diplomática intensa junto às autoridades dos Estados Unidos para tentar evitar o aumento das tarifas impostas a produtos brasileiros. Segundo integrantes da equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram realizados mais de 30 contatos oficiais com representantes do governo norte-americano desde o início das tratativas sobre as medidas comerciais.
A manifestação ocorreu após críticas de setores da oposição e de representantes do mercado, que questionaram a condução das negociações e defenderam uma atuação mais incisiva do governo brasileiro diante das decisões anunciadas pela administração do presidente Donald Trump.
De acordo com o Palácio do Planalto, os contatos envolveram reuniões presenciais, videoconferências, telefonemas e trocas de documentos técnicos entre integrantes do Itamaraty, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Embaixada do Brasil em Washington e autoridades do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A estratégia, segundo o governo, buscou apresentar argumentos técnicos para evitar a ampliação das restrições comerciais.
Negociações continuam
Mesmo após a entrada em vigor das novas tarifas, o governo brasileiro afirma que as negociações permanecem abertas. A avaliação da equipe econômica é de que ainda há espaço para discutir exceções, rever parte das medidas e reduzir os impactos sobre setores estratégicos da economia nacional.
Entre os produtos considerados mais sensíveis estão bens industrializados, itens do setor metalúrgico, máquinas, equipamentos e manufaturados, segmentos que possuem forte participação nas exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Defesa da estratégia diplomática
Ministros envolvidos nas negociações rejeitaram as acusações de omissão e afirmaram que o Brasil adotou todos os canais diplomáticos disponíveis antes do anúncio das novas tarifas. Segundo integrantes do governo, o objetivo sempre foi preservar a relação comercial entre os dois países e evitar uma escalada nas tensões econômicas.
O Executivo também ressaltou que as conversas ocorreram em diferentes níveis da administração norte-americana, envolvendo autoridades diplomáticas e técnicas responsáveis pelas políticas comerciais dos Estados Unidos.
Possíveis medidas de resposta
Apesar de manter o discurso favorável ao diálogo, o governo brasileiro não descarta recorrer a mecanismos previstos na legislação nacional e em organismos internacionais caso considere que as tarifas adotadas pelos Estados Unidos violam normas do comércio internacional.
Entre as alternativas em estudo estão a utilização da Lei da Reciprocidade Econômica, a abertura de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e a ampliação das negociações com novos mercados para reduzir a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos.
Impacto econômico
Especialistas avaliam que o aumento das tarifas poderá afetar a competitividade de empresas brasileiras no mercado americano, pressionando custos e reduzindo a participação de alguns produtos nacionais nas exportações. Ao mesmo tempo, analistas destacam que a manutenção do diálogo diplomático será decisiva para tentar minimizar os efeitos das medidas e preservar uma das mais importantes relações comerciais do Brasil.
