O governo federal prepara uma nova etapa da estratégia nacional de enfrentamento ao crime organizado com foco em regiões consideradas prioritárias para as ações de segurança pública. Entre os estados que receberão reforço estão Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, onde serão ampliados os investimentos em inteligência financeira, integração entre forças policiais e combate à lavagem de dinheiro.
A iniciativa faz parte do programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado neste ano pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O objetivo é fortalecer a atuação do Estado contra facções criminosas, milícias e organizações envolvidas em tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e outros crimes de grande impacto nacional.
Como parte desse plano, o Ministério da Justiça destinou cerca de R$ 30 milhões para ampliar a estrutura do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), responsável por monitorar movimentações financeiras suspeitas e produzir relatórios que auxiliam investigações sobre organizações criminosas. Os recursos serão direcionados principalmente para bases instaladas no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Foz do Iguaçu, no Paraná, região considerada estratégica por fazer fronteira com outros países da América do Sul.
A proposta também prevê maior compartilhamento de informações entre Polícia Federal, polícias estaduais, Receita Federal, Ministério Público e demais órgãos de fiscalização, buscando acelerar investigações e aumentar a eficiência no rastreamento de recursos provenientes de atividades ilícitas. Segundo o governo, o fortalecimento da inteligência financeira é uma das principais ferramentas para enfraquecer economicamente as facções criminosas.
Além do aspecto operacional, a medida ocorre em um momento em que a segurança pública deve ocupar posição central no debate político nacional. Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná concentram discussões sobre políticas de combate ao crime e são considerados estados estratégicos tanto pelo peso populacional quanto pela influência no cenário eleitoral de 2026.
O governo afirma que o programa também contempla ações de fortalecimento da presença do Estado em áreas dominadas por organizações criminosas, modernização tecnológica, cooperação entre os entes federativos e aperfeiçoamento dos mecanismos de investigação patrimonial. A expectativa é ampliar a capacidade de identificação de fluxos financeiros ilegais e dificultar o financiamento das atividades das facções em todo o país.
