O governo brasileiro voltou a negociar com os Estados Unidos para tentar reduzir os impactos do chamado tarifaço, mas não trabalha com a expectativa de uma solução rápida para o impasse comercial entre os dois países.
A retomada das conversas ocorreu depois de uma ligação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada na última sexta-feira (21). Os dois concordaram em reabrir o diálogo técnico sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
O primeiro encontro entre representantes dos governos já tem data marcada. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, deverão participar de uma reunião virtual na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília.
Apesar da reaproximação, integrantes do governo avaliam que uma solução definitiva pode levar tempo. A expectativa é que, inicialmente, as negociações busquem ampliar a quantidade de produtos brasileiros livres ou parcialmente protegidos das tarifas americanas.
Governo tenta ampliar lista de exceções
As tarifas impostas pelos Estados Unidos continuam sendo o principal ponto de preocupação do governo brasileiro.
Brasília pretende utilizar a retomada das negociações para discutir principalmente as exceções às sobretaxas. A avaliação é de que um acordo amplo para eliminar as medidas neste momento é improvável, mas existe espaço para negociar produtos e setores específicos.
A estratégia também passa por demonstrar aos Estados Unidos os possíveis prejuízos provocados pelas tarifas para empresas e consumidores dos dois países.
Lula e Trump retomaram contato
A reabertura das negociações ocorreu após uma conversa de aproximadamente 1 hora e 20 minutos entre Lula e Trump.
Durante o telefonema, os presidentes discutiram as tarifas, além de outros assuntos da relação bilateral. Lula defendeu a necessidade de diálogo e argumentou que as medidas comerciais podem provocar prejuízos tanto para o Brasil quanto para os próprios Estados Unidos.
A conversa foi considerada cordial, mas não representou um acordo para a retirada imediata das tarifas.
Planalto vê negociação prolongada
Apesar do tom mais amistoso entre os presidentes, a avaliação política em Brasília é de que o processo deverá ser longo.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, integrantes do Palácio do Planalto não acreditam que Trump vá retirar completamente as tarifas antes das eleições brasileiras. A avaliação é de que qualquer recuo significativo do governo americano poderia ter repercussão política no cenário eleitoral.
Com isso, o governo brasileiro trabalha com a possibilidade de que as negociações avancem gradualmente, começando por setores considerados prioritários para a economia nacional.
Brasil mantém possibilidade de resposta
Enquanto tenta resolver o impasse pela via diplomática, o governo brasileiro mantém mecanismos de resposta às medidas americanas.
A Lei da Reciprocidade Econômica foi criada para permitir que o Brasil adote medidas comerciais contra países que imponham barreiras consideradas prejudiciais aos produtos brasileiros.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, já afirmou que o objetivo principal é negociar e reduzir os impactos das tarifas, e não iniciar uma guerra comercial com Washington.
Próxima reunião será decisiva para definir os rumos
O encontro de segunda-feira será o primeiro contato formal entre as equipes comerciais dos dois governos desde a retomada do diálogo político.
A expectativa do governo brasileiro é utilizar a reunião para identificar quais pontos podem efetivamente ser negociados e quais permanecerão como obstáculos.
Por enquanto, portanto, a reabertura das conversas é vista como um avanço diplomático, mas não significa que o tarifaço esteja próximo de ser encerrado.
O governo brasileiro deverá manter simultaneamente a negociação com os Estados Unidos e as medidas internas destinadas a proteger empresas e setores afetados pelas tarifas.
