Aos 32 anos, o baiano conquistou neste sábado (29) a medalha de ouro na prova do C1 500 metros do Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade, realizado em Poznan, na Polônia. O brasileiro completou o percurso em 1min46s08, superou o tcheco Martin Fuksa e o chinês Bowen Ji e escreveu mais um capítulo histórico de uma das carreiras mais vitoriosas do esporte brasileiro.
A conquista teve ainda um significado especial pela forma como aconteceu.
Um dia antes, Isaquias havia terminado na última colocação da final do C1 1000m. Longe de se abalar, voltou à água para disputar sua prova de especialidade e respondeu com uma vitória que o recolocou no lugar mais alto do pódio mundial.
Oito ouros e 15 medalhas em Mundiais
O título conquistado na Polônia ampliou ainda mais os números impressionantes de Isaquias.
O brasileiro chegou à 15ª medalha em Campeonatos Mundiais, sendo oito de ouro, uma prata e seis de bronze.
No C1 500m, a vitória deste sábado também marcou o quinto título mundial de Isaquias na distância. Ele já havia vencido a prova em 2013, 2014, 2018 e 2022.
A medalha também encerra um intervalo de quatro anos sem ouro em Mundiais para o atleta.
A última conquista havia acontecido em 2022.
Vitória veio em uma reta final apertada
Isaquias não era apontado como o principal favorito para a decisão, mas conseguiu fazer uma prova de alto nível e superar justamente um dos nomes mais fortes da atualidade.
O brasileiro venceu Martin Fuksa por uma diferença de apenas 0s239.
A disputa ganhou intensidade nos metros finais, quando Isaquias conseguiu abrir vantagem suficiente para garantir o título mundial.
O resultado mostra que, mesmo depois de uma temporada marcada por dificuldades físicas e preparação abaixo do ideal, o canoísta continua entre os principais nomes da modalidade.
Um ano de dificuldades e uma resposta de campeão
A trajetória até o pódio não foi simples.
Isaquias passou por problemas físicos ao longo da temporada, incluindo uma cirurgia no olho e recuperação de uma lesão no quadril. A preparação também foi afetada.
No Mundial de Poznan, ele chegou a disputar a final do C1 1000m, mas terminou em nono lugar.
Na prova dos 500m, porém, conseguiu recuperar o desempenho e mostrou por que é considerado um dos maiores nomes da história da canoagem brasileira.
A reação também foi simbólica.
Em vez de deixar o resultado negativo dos 1000m determinar sua participação no Mundial, Isaquias voltou no dia seguinte para conquistar o título.
Olho em Los Angeles 2028
Apesar da festa pelo ouro, Isaquias já pensa no próximo grande objetivo.
O brasileiro mira os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Existe, porém, uma diferença importante: o C1 500m não faz parte do programa olímpico de Los Angeles. A prova individual olímpica da canoagem velocidade é o C1 1000m.
Por isso, o título mundial conquistado na Polônia representa uma demonstração de força, mas o caminho olímpico exigirá atenção especial à distância de 1000 metros.
O próprio Isaquias reforçou, após a conquista, que pretende continuar treinando com os Jogos de Los Angeles como principal foco.
A força do Nordeste na canoagem brasileira
Embora Isaquias tenha nascido na Bahia, sua trajetória tem significado que ultrapassa as fronteiras do estado.
O atleta se tornou referência para uma geração de jovens canoístas brasileiros e ajudou a transformar a modalidade em um esporte de maior visibilidade no país.
A atual seleção brasileira também conta com novos nomes que começam a aparecer no cenário internacional.
Um deles é Gabriel Nascimento, apontado como uma das promessas da nova geração da canoagem velocidade. O jovem atleta vem acumulando resultados importantes e aparece como parte de uma renovação que pode garantir continuidade ao trabalho desenvolvido pela seleção.
E o que essa conquista representa para Alagoas?
A vitória de Isaquias também serve como inspiração para o Nordeste, região que possui forte relação com esportes aquáticos e que busca ampliar a formação de atletas de alto rendimento.
Para Alagoas, que tem uma extensa costa, rios, lagoas e uma relação histórica com atividades náuticas, o resultado reforça a importância de investir na formação esportiva de base e no acesso de crianças e jovens às modalidades aquáticas.
A história de Isaquias mostra que grandes resultados internacionais podem nascer longe dos grandes centros tradicionais do esporte.
O campeão mundial construiu sua carreira a partir de uma trajetória marcada por dificuldades e chegou a se transformar em um dos maiores medalhistas olímpicos do Brasil.
Essa trajetória pode servir de referência para projetos esportivos alagoanos que trabalham com crianças e adolescentes.
Um campeão que continua fazendo história
Aos 32 anos, Isaquias ainda demonstra capacidade de competir no mais alto nível.
A medalha conquistada em Poznan é especialmente significativa porque veio depois de um resultado ruim, em uma temporada marcada por problemas físicos e com preparação considerada distante do ideal.
Foi uma resposta dentro da água.
O brasileiro voltou ao pódio mundial e mostrou que sua história na canoagem ainda está longe de terminar.
Agora, o desafio é transformar o bom desempenho no C1 500m em combustível para a preparação olímpica.
Da Polônia para o Brasil — e com inspiração que chega também ao Nordeste — Isaquias Queiroz mostrou mais uma vez que experiência, talento e capacidade de reação podem fazer a diferença quando a pressão é maior.
