A Justiça da Bolívia determinou, nesta sexta-feira (21), a prisão preventiva por 180 dias do consultor político argentino Fernando Cerimedo, de 45 anos. Ele é investigado por suposto envolvimento no ataque a tiros contra a advogada e ativista Nadia Beller, sua ex-companheira, ocorrido na segunda-feira (17), em Santa Cruz de la Sierra.
Cerimedo foi detido durante a semana e é apontado pelo Ministério Público boliviano como suspeito de ter participado do planejamento do ataque. Beller sobreviveu aos disparos e recebeu atendimento médico.
A decisão judicial determina que o argentino permaneça preso enquanto as investigações avançam. O caso é tratado pelas autoridades como uma suspeita de tentativa de feminicídio.
Ataque aconteceu em Santa Cruz de la Sierra
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa local, Nadia Beller foi atacada a tiros nas proximidades de um hotel em Santa Cruz de la Sierra.
A investigação aponta que dois homens teriam participado da ação. Imagens de câmeras de segurança e outros elementos estão sendo analisados pelos investigadores para tentar esclarecer a dinâmica do crime e identificar os responsáveis pela execução do ataque.
A promotoria sustenta que Cerimedo teria participação como suposto autor intelectual. A acusação, no entanto, ainda será analisada durante o processo judicial e não representa uma condenação definitiva.
Defesa nega envolvimento
A defesa de Fernando Cerimedo rejeita a acusação apresentada pelo Ministério Público.
Segundo a advogada do consultor, a versão apresentada pela defesa é de que o ataque teria sido uma ação planejada para prejudicar politicamente o governo do presidente boliviano Rodrigo Paz. A tese é contestada pela acusação e será analisada no decorrer da investigação.
A Justiça determinou a prisão preventiva justamente para permitir o avanço das diligências e a coleta de provas relacionadas ao caso.
Quem é Fernando Cerimedo
Cerimedo é um consultor político argentino que ganhou projeção por sua atuação em campanhas eleitorais e estratégias digitais de candidatos e grupos de direita na América Latina.
Ele participou da campanha presidencial de Javier Milei na Argentina, em 2023, e também mantém histórico de atuação junto a grupos ligados ao bolsonarismo no Brasil.
O argentino ficou conhecido no Brasil principalmente após divulgar, em 2022, alegações falsas e sem comprovação sobre as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro. As declarações foram utilizadas por apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro para questionar o resultado das eleições daquele ano.
Relação com o governo boliviano
Atualmente, Cerimedo atua como consultor do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, embora não ocupe formalmente um cargo no governo.
A prisão ocorre em um momento de atenção sobre a influência de consultores políticos estrangeiros nas estratégias de comunicação e nas campanhas eleitorais de diferentes países da região.
O governo boliviano afirmou que as investigações devem seguir de forma independente, sem interferência política.
Investigação também envolve outros fatos
Além da acusação relacionada ao ataque contra Beller, a investigação passou a examinar outros elementos envolvendo Cerimedo.
A imprensa boliviana informou que os investigadores também apuram suspeitas relacionadas ao patrimônio e às atividades financeiras do consultor. Durante a prisão, as autoridades teriam apreendido dinheiro em diferentes moedas e outros materiais que poderão ser submetidos à perícia.
As informações, porém, ainda fazem parte de investigações em andamento e não significam que Cerimedo tenha sido condenado por qualquer um desses crimes.
Caso repercute na política latino-americana
A prisão ganhou repercussão internacional devido à trajetória de Cerimedo e às conexões que ele estabeleceu com campanhas e grupos políticos de direita em diferentes países.
Além da participação na campanha de Milei, seu nome esteve relacionado a estratégias digitais utilizadas por setores do campo conservador e de extrema direita na América Latina.
No Brasil, a atuação do argentino chamou atenção especialmente pela disseminação de conteúdos falsos sobre o sistema eleitoral durante o período que antecedeu as eleições presidenciais de 2022.
Enquanto a investigação sobre o ataque a Nadia Beller prossegue, Cerimedo permanecerá preso preventivamente por determinação da Justiça boliviana.
