As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam a Presidência da República nas eleições de 2026, já começam a rever estratégias para aumentar a mobilização dos eleitores durante os atos de rua.
A preocupação das duas campanhas, segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, é evitar eventos com baixa participação, cenário que poderia gerar desgaste político e dar margem a interpretações negativas sobre a força eleitoral dos candidatos.
A avaliação ocorre poucos dias depois do início oficial da campanha, em 16 de agosto. Lula iniciou a corrida eleitoral em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, enquanto Flávio Bolsonaro escolheu Copacabana, no Rio de Janeiro, para o primeiro grande ato.
Campanha de Flávio aposta em eventos maiores na reta final
No entorno de Flávio Bolsonaro, a estratégia em avaliação é concentrar os grandes eventos de rua mais próximos do fim do primeiro turno, quando a disputa tende a ganhar maior intensidade e o eleitorado estará mais envolvido com a eleição.
Até lá, a campanha pretende priorizar agendas menores e segmentadas, além da comunicação digital.
Deputados federais que funcionam como importantes cabos eleitorais também devem concentrar eventos maiores a partir de setembro, aproveitando suas bases eleitorais para ampliar a mobilização.
A estratégia ocorre em um cenário de disputa acirrada nas pesquisas. Levantamento Datafolha divulgado nesta semana mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Em uma simulação de segundo turno, o petista aparece com 47%, enquanto o senador tem 43%.
Lula aposta em movimentos sociais e lideranças locais
A campanha de Lula, por sua vez, trabalha para garantir grande presença de público nos eventos abertos do presidente.
Para isso, a estratégia inclui a participação de movimentos sociais e de lideranças políticas com capacidade de mobilização. Deputados e candidatos aliados também vêm organizando agendas próprias próximas aos eventos do presidente para reunir suas bases eleitorais.
Em Minas Gerais, por exemplo, movimentos ligados a trabalhadores sem-terra, atingidos por barragens e organizações de luta por moradia organizaram caravanas para participar das atividades de campanha.
Na sexta-feira (21), Lula realizou em Belo Horizonte o primeiro comício da campanha em Minas Gerais, escolhendo a Praça da Estação, tradicional espaço de manifestações políticas na capital mineira.
Eventos mais rápidos e discursos mais longos
Outra orientação da campanha de Lula é reduzir a duração geral dos eventos para evitar o desgaste da militância.
A ideia, segundo a CNN Brasil, é que os atos sejam mais objetivos, enquanto o discurso do presidente tenha espaço maior, com duração estimada entre 30 e 40 minutos.
A estratégia busca concentrar a atenção do público na participação do candidato e, ao mesmo tempo, evitar que a programação se torne cansativa.
Lula e Flávio voltam ao Rio neste sábado
Os dois candidatos também têm agendas simultâneas no Rio de Janeiro neste sábado (22).
Lula participa de um comício no Estádio Moça Bonita, em Bangu, ao lado de aliados que disputam cargos no estado. Flávio Bolsonaro participa, no mesmo horário, do lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio, no Maracanãzinho.
A coincidência das agendas reforça a importância do Rio de Janeiro na estratégia eleitoral dos dois grupos. O Sudeste concentra os maiores colégios eleitorais do país e deverá ser um dos principais campos de disputa durante a campanha.
Disputa deve ganhar força nas próximas semanas
A avaliação das campanhas ocorre em um momento de aumento da exposição dos candidatos e de preparação para uma fase mais intensa da eleição.
Além dos atos de rua, as equipes de Lula e Flávio trabalham na comunicação digital, na mobilização de lideranças regionais e na definição das agendas para os próximos meses.
A expectativa é que a disputa se torne ainda mais acirrada com o avanço da propaganda eleitoral e a ampliação da presença dos candidatos nos estados.
Enquanto Lula busca manter a vantagem nas pesquisas e consolidar o apoio de sua base, Flávio Bolsonaro tenta ampliar seu eleitorado e se apresentar como o principal nome da oposição ao atual governo.
