O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta segunda-feira (27), em Brasília, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, para uma agenda voltada ao fortalecimento das relações entre os dois países. A visita de Estado terá como um dos principais temas a ampliação da cooperação econômica e tecnológica, incluindo discussões sobre minerais críticos, terras raras, semicondutores e inteligência artificial.

A programação oficial começa com a recepção de Lee por Lula e deve incluir reuniões entre autoridades dos dois governos, assinatura de acordos e uma declaração à imprensa. A visita ocorre cerca de cinco meses depois da passagem do presidente brasileiro pela Coreia do Sul.

Entre os assuntos de interesse brasileiro está a possibilidade de ampliar a cooperação com os sul-coreanos em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento industrial e tecnológico. O país asiático possui uma indústria avançada nas áreas de eletrônica, semicondutores e tecnologia, enquanto o Brasil busca agregar mais valor à exploração de seus recursos minerais.

As chamadas terras raras e outros minerais críticos ganharam espaço na agenda internacional devido à importância desses recursos para a fabricação de equipamentos de alta tecnologia, baterias, sistemas de energia, veículos elétricos e produtos utilizados em setores estratégicos.

O governo brasileiro tem defendido que a exploração desses recursos não deve se limitar à exportação de matéria-prima. A estratégia apresentada por Lula é ampliar investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia para que o país desenvolva capacidade própria de processamento e produção de bens de maior valor agregado.

Em declarações recentes, o presidente afirmou que o Brasil não pretende repetir o modelo de exportação de recursos naturais sem desenvolvimento tecnológico associado. A ideia é utilizar as reservas minerais brasileiras como instrumento para fortalecer a indústria nacional e ampliar a capacidade de inovação do país.

Parceria comercial

A aproximação com a Coreia do Sul também ocorre em um momento de busca do governo brasileiro por novos mercados e pela diversificação das relações comerciais. O país asiático é considerado um parceiro relevante para o Brasil em áreas como indústria, tecnologia e investimentos.

A expectativa é que as conversas entre Lula e Lee contribuam para ampliar oportunidades para empresas dos dois países e fortalecer cadeias produtivas consideradas estratégicas.

Além dos minerais críticos e das terras raras, a agenda bilateral deve envolver temas como semicondutores, inteligência artificial, saúde, educação e indústria. A cooperação nessas áreas é vista como uma oportunidade para aproximar o setor produtivo e centros de pesquisa dos dois países.

Importância das terras raras

As terras raras correspondem a um conjunto de 17 elementos químicos utilizados em diferentes tecnologias modernas. Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente escassos na natureza. O desafio está na localização de concentrações economicamente viáveis e, principalmente, no domínio das técnicas de extração e processamento.

Esses minerais são considerados estratégicos por sua aplicação em áreas como transição energética, eletrônica, comunicação, defesa e produção de tecnologias avançadas. A Agência Nacional de Mineração destaca que minerais críticos e estratégicos têm importância para a economia, a segurança e a soberania dos países.

Para o Brasil, o desafio é transformar o potencial mineral em desenvolvimento econômico e tecnológico. A posição do governo é que o país deve buscar investimentos e parcerias internacionais, mas preservando o controle sobre seus recursos e ampliando a capacidade nacional de pesquisa e industrialização.

A visita do presidente sul-coreano ocorre, portanto, em um momento de disputa internacional por recursos estratégicos e de reorganização das cadeias globais de produção. Para o Brasil, a aproximação com a Coreia do Sul representa uma oportunidade de ampliar mercados e atrair investimentos em setores de alta tecnologia.

O encontro entre Lula e Lee Jae-myung deve reforçar a parceria bilateral e abrir espaço para novas negociações comerciais e tecnológicas. A expectativa é que os acordos discutidos durante a visita avancem em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento econômico e industrial dos dois países.