O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a revogação das medidas cautelares impostas ao ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Márcio Canella (União Brasil). Com a decisão, o político deixou de ser obrigado a utilizar tornozeleira eletrônica e também foi liberado das demais restrições determinadas anteriormente pela Justiça.
A decisão ocorreu após novos esclarecimentos relacionados às armas apreendidas durante uma operação da Polícia Federal. Canella havia sido preso em flagrante no início de julho, quando agentes cumpriam mandados de busca e apreensão no âmbito da sexta fase da Operação Unha e Carne.
Na ocasião, os policiais encontraram um fuzil calibre 5.56 no veículo ligado ao ex-prefeito. A prisão foi posteriormente convertida em liberdade provisória, com a imposição de medidas cautelares, entre elas o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Medidas cautelares são retiradas
Com a nova decisão de Alexandre de Moraes, Canella não precisa mais utilizar o equipamento eletrônico e também deixa de cumprir outras restrições que haviam sido estabelecidas após sua prisão.
Entre as medidas anteriormente impostas estavam o recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, a apresentação periódica à Justiça e a retenção dos passaportes.
A decisão também alcança um sargento da Polícia Militar que estava submetido a medidas semelhantes no mesmo contexto da investigação.
Investigação continua
A retirada da tornozeleira e a revogação das cautelares não significam o encerramento das investigações. O ex-prefeito continua sendo investigado no inquérito que apura possíveis conexões entre grupos criminosos violentos e agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.
A operação que levou à prisão de Canella investiga um esquema relacionado ao uso de uma rede de postos de combustíveis para lavagem de dinheiro supostamente proveniente de atividades criminosas. O caso está sob análise da Justiça Federal e segue em andamento.
Prisão ocorreu durante operação da PF
Canella foi preso no dia 7 de julho, durante uma ação da Polícia Federal. Segundo informações divulgadas na época, o armamento foi localizado no carro do ex-prefeito durante o cumprimento de mandados judiciais.
Após a prisão, ele passou por audiência de custódia e permaneceu inicialmente detido. Dias depois, Alexandre de Moraes determinou sua soltura, condicionada ao cumprimento das medidas cautelares que agora foram revogadas.
Decisão repercute no cenário político do Rio
A decisão do STF também ganhou repercussão no ambiente político fluminense. Canella é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil e mantém proximidade política com integrantes do grupo ligado ao senador Flávio Bolsonaro.
A retirada das restrições ocorre em um momento de intensificação das articulações para as eleições de 2026, quando os partidos começam a definir alianças e candidaturas nos estados.
A situação jurídica do ex-prefeito vinha sendo acompanhada de perto por aliados e adversários políticos, principalmente diante da proximidade do período de convenções partidárias.
Caso chama atenção para relação entre política e segurança pública
O episódio também reacende o debate sobre a atuação de grupos criminosos e suas possíveis conexões com agentes públicos. A investigação conduzida pela Polícia Federal busca esclarecer a extensão dessas relações e identificar eventuais responsabilidades.
Para as autoridades, o objetivo é avançar na apuração sobre a estrutura financeira e operacional das organizações investigadas, além de verificar possíveis vínculos com integrantes da administração pública.
Com a revogação das medidas cautelares, Márcio Canella passa a responder às investigações sem a obrigação de utilizar tornozeleira eletrônica, mas o inquérito continua em andamento e poderá produzir novos desdobramentos nos próximos meses.
