O cinema brasileiro perdeu, nesta quarta-feira (22), um de seus nomes mais importantes. Luiz Carlos Barreto, conhecido como "Barretão", morreu aos 98 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por familiares e pelo Hospital Copa Star, onde o cineasta estava internado.

De acordo com informações divulgadas pelo hospital, Barreto enfrentava uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia. A morte encerra uma trajetória de mais de seis décadas dedicadas ao cinema e à cultura brasileira.

Considerado uma das figuras centrais da produção cinematográfica nacional, Luiz Carlos Barreto atuou como produtor, diretor, fotógrafo e roteirista. Seu nome ficou ligado a algumas das produções mais importantes do cinema brasileiro, além de sua participação no movimento conhecido como Cinema Novo, que transformou a linguagem e a forma de produção audiovisual no país a partir da década de 1960.

Carreira começou no jornalismo

Antes de se dedicar ao cinema, Barreto iniciou sua trajetória profissional no jornalismo e no fotojornalismo. Nascido no Ceará, trabalhou na revista O Cruzeiro e chegou a atuar como correspondente na França.

A aproximação com o cinema ocorreu durante o período em que manteve contato com importantes nomes da produção cinematográfica brasileira, entre eles Glauber Rocha. A partir daí, passou a participar de projetos que ajudaram a consolidar uma nova geração do cinema nacional.

Entre os trabalhos que marcaram sua carreira está a direção de fotografia de "Vidas Secas", lançado em 1963 e dirigido por Nelson Pereira dos Santos. A produção é considerada uma das obras fundamentais do cinema brasileiro e teve como base o romance homônimo de Graciliano Ramos.

Barreto também esteve ligado a "Terra em Transe", de Glauber Rocha, outro filme de grande relevância para a história do audiovisual brasileiro.

Produtor de grandes sucessos

Foi, porém, como produtor que Luiz Carlos Barreto construiu parte significativa de seu legado. Ao lado da esposa, Lucy Barreto, fundou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, responsável por projetos que atravessaram diferentes períodos do cinema brasileiro.

Entre os filmes associados à sua trajetória estão "Dona Flor e Seus Dois Maridos", "Bye Bye Brasil", "O Quatrilho" e "O Que É Isso, Companheiro?". As duas últimas produções chegaram a representar o Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, ampliando a presença do cinema nacional no cenário internacional.

A produtora também teve participação em uma extensa lista de obras que ajudaram a fortalecer a indústria cinematográfica brasileira e a projetar novos talentos.

Legado para o cinema nacional

Ao longo de sua carreira, Luiz Carlos Barreto se tornou uma referência para diferentes gerações de profissionais do audiovisual. Seu trabalho atravessou períodos de profundas transformações políticas, econômicas e culturais no Brasil.

A atuação ao lado de diretores, atores e produtores consagrados fez de Barreto uma presença constante na história do cinema brasileiro. Sua trajetória também esteve ligada à defesa e à valorização da produção nacional em um mercado marcado pela forte presença de obras estrangeiras.

Com a morte de Luiz Carlos Barreto, o Brasil se despede de um dos principais responsáveis pela construção e consolidação de uma identidade própria para o cinema nacional. O legado deixado por "Barretão" permanece registrado em décadas de filmes e histórias que ajudaram a contar, nas telas, diferentes momentos do país.