Pais e responsáveis de crianças e adolescentes de Alagoas devem ficar atentos à atualização da caderneta de vacinação. O Ministério da Saúde iniciou nesta sexta-feira (7) a Campanha de Multivacinação 2026, que busca ampliar a proteção de menores de 15 anos contra doenças graves, entre elas sarampo, pneumonias e meningites.

A mobilização nacional segue até 1º de setembro, com o Dia D marcado para 22 de agosto. Ao todo, 20 imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação poderão ser utilizados durante a estratégia, sempre de acordo com a idade e o histórico de cada pessoa.

Em Alagoas, a campanha ganha importância adicional porque o estado já disponibiliza, desde junho, a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) gratuitamente pelo SUS nos 102 municípios. O imunizante amplia a proteção contra doenças provocadas pelo pneumococo, incluindo pneumonia e meningite.

Pneumo 20 amplia proteção em Alagoas

A Pneumo 20 passou a fazer parte do calendário nacional de vacinação neste ano e está indicada para crianças menores de cinco anos, conforme o esquema vacinal.

A bactéria Streptococcus pneumoniae é uma das principais responsáveis por infecções graves, podendo provocar pneumonia, meningite e outras doenças capazes de levar a internações, sequelas e até mortes.

A incorporação da nova vacina ao SUS representa uma ampliação importante do acesso em Alagoas, principalmente porque o imunizante, antes disponível na rede privada com custo elevado, passou a ser oferecido gratuitamente à população.

Durante o período de transição, o esquema infantil segue orientações específicas do Ministério da Saúde, com utilização da Pneumo 20 e da Pneumo 10 conforme a idade e a situação vacinal da criança.

Sarampo volta a preocupar autoridades

Outro ponto de atenção é o sarampo. Embora Alagoas não registre casos da doença desde 2021, a Secretaria de Estado da Saúde já havia reforçado o alerta diante do risco de reintrodução do vírus no território nacional.

Entre 2019 e 2021, o estado registrou casos confirmados da doença. Foram 35 casos em 2019, três em 2020 e 11 em 2021. Naquele período, a Sesau destacou a necessidade de alcançar pelo menos 95% de cobertura vacinal entre as crianças de 1 ano para evitar o retorno da circulação do vírus.

O alerta ganha força em 2026 diante da circulação internacional do sarampo. Segundo o Ministério da Saúde, países que reduziram a vacinação registraram aumento de casos, elevando também o risco de importação do vírus para o Brasil.

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Durante a campanha, os profissionais de saúde verificarão a caderneta e indicarão as doses necessárias de acordo com a idade e o histórico de vacinação.

Campanha não significa que todos receberão as mesmas vacinas

A estratégia será feita de maneira seletiva. Isso significa que crianças e adolescentes não receberão necessariamente todas as vacinas disponíveis.

Os profissionais das unidades de saúde vão analisar a caderneta e identificar quais doses estão atrasadas, quais precisam ser iniciadas ou quais devem ser completadas.

Entre os imunizantes que poderão ser disponibilizados estão vacinas contra:

  • sarampo, caxumba e rubéola;
  • pneumonias e meningites;
  • poliomielite;
  • influenza;
  • covid-19;
  • febre amarela;
  • hepatites;
  • coqueluche;
  • difteria e tétano;
  • meningites;
  • HPV;
  • dengue;
  • varicela;
  • rotavírus.

A orientação do Ministério da Saúde é que pais e responsáveis levem a caderneta de vacinação aos serviços de saúde para que a situação seja avaliada.

Alagoas tem rede de vacinação nos 102 municípios

A vacinação infantil faz parte da rotina do SUS e está disponível na rede pública de Alagoas. O estado mantém orientação para que famílias procurem as unidades de saúde e mantenham a caderneta atualizada.

Em janeiro deste ano, a Sesau já havia reforçado a importância de verificar a situação vacinal de crianças e adolescentes durante o período de férias. O calendário inclui mais de 15 imunizantes ao longo das diferentes fases da infância e adolescência.

A recomendação é especialmente importante para quem perdeu alguma dose ou não sabe se o esquema foi concluído. A própria rede estadual orienta que a população procure uma unidade de saúde para verificar o histórico e atualizar as vacinas necessárias.

Brasil reduz número de crianças sem nenhuma dose

O esforço de recuperação da cobertura vacinal já apresenta resultados no país.

Estimativas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Unicef apontam que o número de crianças brasileiras que não haviam recebido sequer a primeira dose da vacina pentavalente caiu de 360 mil, em 2023, para 50 mil em 2025, uma redução de aproximadamente 90%.

O Ministério da Saúde considera a redução um avanço, mas reforça que a manutenção de altas coberturas e a busca ativa continuam necessárias para evitar o retorno de doenças controladas ou eliminadas.

Nova dose contra a poliomielite

A campanha também ocorre após uma mudança recente no calendário contra a poliomielite.

Desde 3 de agosto de 2026, o esquema passou a incluir um segundo reforço da vacina inativada contra a poliomielite (VIP) aos 4 anos.

O Brasil não registra casos da doença há décadas, mas a vacinação continua sendo fundamental para impedir a reintrodução do poliovírus, que ainda circula em outras partes do mundo.

O que os pais devem fazer

A orientação para as famílias alagoanas é simples: separar a caderneta de vacinação e procurar a unidade de saúde mais próxima.

Não é necessário esperar o Dia D para conferir as doses. A campanha segue até 1º de setembro, e os profissionais poderão avaliar individualmente quais imunizantes são necessários para cada criança ou adolescente.

Para Alagoas, a mobilização representa uma oportunidade de ampliar a proteção da população infantil justamente em um momento em que doenças como o sarampo exigem vigilância e em que o estado passou a contar com uma vacina pneumocócica de maior abrangência disponível gratuitamente na rede pública.

Manter a vacinação em dia protege não apenas a criança ou o adolescente, mas também reduz a circulação de vírus e bactérias e ajuda a evitar surtos, internações, sequelas e mortes por doenças que podem ser prevenidas por meio da imunização.