Uma imagem registrada do espaço voltou a chamar atenção para uma das paisagens naturais mais impressionantes do Brasil. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no Maranhão, foi destacado pela NASA em uma publicação que mostra, em detalhes, o contraste entre as dunas de areia branca e as lagoas de água doce que se formam entre elas.
A fotografia foi obtida pelo satélite Landsat 9, em 8 de junho de 2026, período em que os níveis das lagoas costumam estar próximos do ponto máximo. A imagem integra uma publicação do Observatório da Terra da NASA, que classificou o cenário dos Lençóis Maranhenses como um verdadeiro paradoxo: apesar da aparência de deserto, a região recebe uma quantidade significativa de chuva durante o ano.
Segundo a agência espacial norte-americana, o parque recebe aproximadamente 1.250 milímetros de chuva por ano. A água fica acumulada nas áreas mais baixas entre as dunas devido à presença de camadas de rocha e argila que dificultam a drenagem durante o período chuvoso. Com a redução das chuvas, entre agosto e novembro, o nível das águas começa a baixar e grande parte das lagoas chega a desaparecer até dezembro.
Dunas que se movimentam
A paisagem registrada pelo satélite também revela a dinâmica natural do maior campo de dunas da América do Sul. De acordo com a NASA, algumas dunas podem alcançar cerca de 30 metros de altura e são constantemente remodeladas pela ação dos ventos.
O deslocamento da areia ocorre principalmente pela atuação dos ventos alísios que sopram do leste. Em determinadas áreas, as dunas avançam em direção ao interior entre aproximadamente 4 e 25 metros por ano. Comparações feitas a partir de imagens de satélite indicam ainda que partes do campo de dunas avançaram cerca de 500 metros entre 1986 e 2026.
A formação desse cenário está relacionada a uma combinação pouco comum de fatores geológicos e climáticos. Rios como o Mearim e o Parnaíba transportam grandes quantidades de areia rica em quartzo para a região costeira. Ao longo de centenas de milhares de anos, o material se acumulou e passou a ser redistribuído pelos ventos.
Lagoas mudam de cor
Do espaço, as lagoas aparecem em diferentes tonalidades de azul e verde. A variação está relacionada principalmente à profundidade da água, à quantidade de sedimentos, à presença de algas microscópicas e de matéria orgânica.
As áreas mais rasas tendem a apresentar tons mais claros, enquanto lagoas mais profundas aparecem em azul mais intenso. A incidência da luz sobre a areia branca também contribui para a aparência característica observada nas imagens feitas por satélites.
O conjunto de dunas também está cercado por diferentes tipos de vegetação. Os Lençóis Maranhenses ficam em uma área de transição influenciada por três grandes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Caatinga. Próximo às dunas, também são encontrados ambientes como manguezais e restingas.
Patrimônio Natural da Humanidade
A importância ambiental dos Lençóis Maranhenses ultrapassa as fronteiras brasileiras. Em julho de 2024, a UNESCO reconheceu o parque como Patrimônio Natural da Humanidade, destacando sua relevância geológica, ambiental e sua biodiversidade.
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses possui atualmente 156.608,16 hectares e é uma unidade de conservação de proteção integral criada em 1981. A área reúne dunas, lagoas de água doce, manguezais e restingas.
A NASA aponta ainda que mais de 850 espécies já foram documentadas na região, incluindo peixes, aves, répteis, mamíferos e fitoplâncton. Entre os animais registrados estão espécies ameaçadas, como a ariranha, o peixe-boi-marinho, o guará e o gato-do-mato.
A imagem produzida pelo Landsat 9 reforça, assim, uma característica que faz dos Lençóis Maranhenses um dos cenários naturais mais singulares do planeta: um extenso campo de dunas que, durante parte do ano, se transforma em uma paisagem repleta de lagoas cristalinas.
