O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, anunciou nesta terça-feira (21) uma medida para reduzir a carga tributária sobre as contas de eletricidade das famílias britânicas. A proposta prevê a retirada do Imposto sobre Valor Agregado (VAT, na sigla em inglês), equivalente ao IVA, das contas residenciais de energia elétrica a partir de outubro.
A iniciativa foi apresentada logo no início do mandato de Burnham e faz parte de um pacote de medidas voltadas à redução do custo de vida no país. Segundo informações divulgadas pela Reuters, o impacto estimado da decisão será de aproximadamente £ 1,8 bilhão (cerca de US$ 2,42 bilhões) no atual ano fiscal.
O governo pretende financiar a redução tributária com o cancelamento do programa de identidade digital que estava sendo desenvolvido pela administração britânica. O projeto, que previa a criação de uma identidade digital para trabalhadores, vinha enfrentando críticas de diferentes setores e foi considerado um fracasso por um comitê parlamentar multipartidário.
Medida ocorre em meio à pressão sobre o custo de vida
O anúncio acontece em um momento de preocupação com o aumento das despesas das famílias britânicas. O regulador de energia Ofgem informou que o teto de preços para consumidores em tarifas padrão subiu 13% entre julho e setembro de 2026, em consequência principalmente da elevação dos preços no mercado atacadista de gás.
O chamado energy price cap estabelece o valor máximo que as empresas podem cobrar por unidade de energia e pela tarifa fixa diária de consumidores em contratos padrão. Para uma residência típica que utiliza eletricidade e gás e paga por débito automático, a tarifa média de eletricidade passou a 26,11 pence por quilowatt-hora no período atual.
Diante desse cenário, a retirada do imposto sobre a eletricidade é apresentada pelo novo governo como uma forma de reduzir o impacto das despesas energéticas no orçamento doméstico.
Burnham promete mudanças logo no início do governo
A redução das contas de energia é uma das primeiras medidas anunciadas por Burnham, que assumiu o cargo de primeiro-ministro após deixar a prefeitura da Grande Manchester.
Durante os primeiros discursos como chefe de governo, o político prometeu uma mudança na condução do país e defendeu um amplo programa de reformas para os próximos anos. Entre as prioridades apresentadas estão medidas para enfrentar a crise do custo de vida, reduzir despesas com transporte e energia e promover maior descentralização administrativa.
Burnham também afirmou que pretende implementar um novo modelo econômico e ampliar os investimentos fora de Londres, com maior autonomia para regiões do país.
Cancelamento da identidade digital financia medida
O governo britânico decidiu utilizar a economia gerada pelo cancelamento do programa de identidade digital para bancar a retirada do imposto sobre a eletricidade residencial.
O projeto de identidade digital havia sido apresentado como uma ferramenta para combater a imigração ilegal e estabelecer um sistema de identificação digital para trabalhadores. A iniciativa, contudo, enfrentou resistência política e críticas sobre sua eficácia e seus custos.
Com a suspensão do programa, a administração Burnham pretende direcionar os recursos para uma medida de efeito imediato sobre as famílias.
Governo busca resposta rápida para famílias
A estratégia do novo primeiro-ministro é apresentar ações de impacto já nos primeiros meses de governo. A redução dos impostos sobre a eletricidade aparece como uma das principais iniciativas para demonstrar uma resposta direta às dificuldades financeiras enfrentadas pela população.
Apesar do anúncio, os efeitos concretos sobre o valor final das contas dependerão do consumo de cada residência e da estrutura tarifária aplicada pelas empresas fornecedoras.
A retirada do VAT deverá entrar em vigor em outubro, enquanto o governo trabalha em outras propostas para reduzir despesas das famílias e estimular o crescimento econômico.
O anúncio marca o início de uma nova fase na política britânica, com Burnham prometendo combinar medidas de alívio imediato com reformas de longo prazo. A capacidade do novo governo de financiar essas iniciativas e, ao mesmo tempo, manter o equilíbrio das contas públicas deve estar entre os principais desafios da administração nos próximos meses.
