O governo do Paquistão informou neste domingo (28) que matou 29 militantes durante uma operação militar realizada na região da fronteira com o Afeganistão. A ação faz parte da ofensiva lançada por Islamabad para combater grupos armados que, segundo as autoridades paquistanesas, utilizam território afegão como base para organizar ataques contra alvos no país.
De acordo com o Exército paquistanês, as operações foram conduzidas em áreas próximas à chamada Linha Durand, fronteira que separa os dois países, e tiveram como alvo integrantes de organizações extremistas responsáveis por atentados recentes contra forças de segurança e instalações governamentais. As autoridades afirmam que, além dos militantes mortos, armas, munições e equipamentos foram apreendidos durante a ofensiva. As informações divulgadas pelo governo indicam que parte dos combatentes pertencia ao grupo Jamaat-ul-Ahrar, facção ligada ao Talibã paquistanês (TTP).
Segundo o ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, a operação foi uma resposta direta ao ataque realizado no fim de semana contra o quartel-general da força paramilitar Rangers, em Karachi. O governo paquistanês sustenta que grupos extremistas atravessam a fronteira para executar atentados e depois retornam ao território afegão.
O governo do Afeganistão, controlado pelo Talibã desde 2021, voltou a negar que permita a atuação de organizações terroristas em seu território. Autoridades afegãs também acusaram o Paquistão de realizar bombardeios que atingiram áreas civis e provocaram vítimas entre a população, versão rejeitada por Islamabad, que afirma ter realizado ataques de precisão exclusivamente contra alvos considerados militares.
Conflito se intensificou em 2026
A relação entre Paquistão e Afeganistão atravessa um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Desde o início de 2026, os dois países vêm registrando sucessivos confrontos na região de fronteira, após uma série de atentados atribuídos por Islamabad ao Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), grupo insurgente que atua principalmente em território paquistanês.
Embora compartilhe vínculos históricos com o Talibã afegão, o TTP possui atuação própria e é considerado organização terrorista pelo governo do Paquistão. Islamabad acusa Cabul de não impedir que integrantes do grupo utilizem o lado afegão da fronteira como refúgio, enquanto o governo talibã nega qualquer colaboração com os militantes.
Comunidade internacional acompanha escalada
A intensificação das operações militares preocupa organismos internacionais e especialistas em segurança. O temor é de que a troca de ataques provoque uma escalada ainda maior do conflito e agrave a crise humanitária na região, marcada por deslocamentos de civis e dificuldades de acesso a serviços básicos.
Analistas internacionais avaliam que a estabilidade da fronteira entre Paquistão e Afeganistão é considerada estratégica para a segurança do sul da Ásia, principalmente devido à atuação de grupos extremistas e à histórica instabilidade política da região.
Enquanto as operações militares continuam, não há indicação de um acordo imediato entre os dois países para reduzir as tensões. O governo paquistanês afirma que manterá as ações contra grupos armados considerados uma ameaça à segurança nacional, enquanto o Afeganistão insiste que sua soberania territorial deve ser respeitada.
