Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) acendeu um alerta sobre a experiência de mulheres durante a inserção do dispositivo intrauterino (DIU), um dos métodos contraceptivos mais eficazes e seguros disponíveis atualmente. A pesquisa aponta que a dor provocada pelo procedimento é muito mais frequente do que indicam as diretrizes oficiais utilizadas na rede pública de saúde.
O levantamento analisou mais de 7 mil procedimentos realizados entre 2022 e 2024 no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), hospital de referência da Unicamp. Os resultados mostram que aproximadamente 81% das pacientes relataram dor moderada ou intensa durante a colocação do DIU, enquanto mais da metade classificou a dor como severa. Os números contrastam com documentos do Ministério da Saúde, que indicam esse tipo de desconforto em menos de 5% dos casos.
Os pesquisadores afirmam que o estudo reforça a necessidade de rever protocolos de atendimento e ampliar as estratégias para o controle da dor durante o procedimento. Entre as medidas sugeridas estão o uso adequado de analgésicos, anti-inflamatórios, anestesia local e uma abordagem mais acolhedora por parte das equipes de saúde, respeitando as características individuais de cada paciente.
Apesar da dor relatada por muitas mulheres, os especialistas ressaltam que o DIU continua sendo um dos métodos contraceptivos mais eficazes, com proteção prolongada contra a gravidez e possibilidade de retirada a qualquer momento, permitindo o retorno da fertilidade. No entanto, o receio do procedimento e a falta de informação ainda são apontados como fatores que dificultam sua adoção no Brasil.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde mostram que o uso do DIU ainda é baixo no país, enquanto métodos como a pílula anticoncepcional permanecem entre os mais utilizados. Para os autores do estudo, ampliar o acesso à informação e oferecer um atendimento mais humanizado podem contribuir para aumentar a confiança das pacientes e estimular a utilização do método.
O trabalho foi publicado no periódico científico International Journal of Gynecology and Obstetrics e integra pesquisas desenvolvidas pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp sobre saúde reprodutiva e planejamento familiar. Os pesquisadores defendem que reconhecer a dor durante a inserção do DIU como uma ocorrência comum é um passo importante para aprimorar a assistência prestada às mulheres e garantir um atendimento mais seguro, respeitoso e baseado em evidências científicas.
