A Polícia Federal concluiu o processo administrativo disciplinar (PAD) instaurado contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e recomendou a demissão dele do cargo de escrivão da própria corporação por suposto abandono de cargo.

A conclusão do procedimento foi encaminhada pela Corregedoria-Geral da PF ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, a quem caberá analisar o caso e tomar a decisão final sobre a permanência ou não do ex-parlamentar no serviço público.

A recomendação representa mais uma etapa de um processo que começou após a Polícia Federal determinar o retorno de Eduardo Bolsonaro às atividades funcionais. O ex-deputado, entretanto, permaneceu nos Estados Unidos, onde vive desde 2025, segundo informações divulgadas durante o andamento do caso.

Entenda o processo

Eduardo Bolsonaro é servidor de carreira da Polícia Federal e ocupa o cargo de escrivão.

Após a perda do mandato parlamentar, a corporação determinou que ele reassumisse as funções. A ausência prolongada motivou a abertura de procedimento administrativo para apurar possíveis faltas injustificadas e abandono do cargo.

Em março deste ano, a PF concedeu prazo de 15 dias para que o ex-deputado apresentasse sua defesa no processo disciplinar. A medida foi publicada no Diário Oficial da União e marcou uma nova etapa da apuração administrativa.

Com a conclusão do PAD, a Corregedoria-Geral da Polícia Federal decidiu recomendar a demissão.

A decisão, no entanto, ainda não é definitiva. O processo foi encaminhado ao Ministério da Justiça, responsável pela análise final do caso.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos

O caso ganhou repercussão porque Eduardo Bolsonaro permanece fora do Brasil há meses.

O ex-deputado passou a atuar politicamente nos Estados Unidos após deixar o país e tem participado de articulações e agendas relacionadas ao cenário político brasileiro.

A permanência no exterior, aliada à ausência do posto na Polícia Federal, está no centro da apuração administrativa.

A defesa e os aliados do ex-parlamentar já classificaram anteriormente as medidas adotadas contra ele como perseguição política, enquanto a PF sustenta que o procedimento segue as regras administrativas aplicáveis aos servidores da instituição.

Decisão final está nas mãos do ministro da Justiça

Apesar da recomendação de demissão, Eduardo Bolsonaro ainda não foi oficialmente desligado da Polícia Federal.

A decisão agora está sob responsabilidade do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

O titular da pasta deverá analisar os argumentos apresentados no processo e os fundamentos utilizados pela Corregedoria-Geral da PF antes de tomar uma decisão.

Caso a demissão seja confirmada, Eduardo Bolsonaro perderá definitivamente o vínculo funcional com a Polícia Federal.

O processo, portanto, ainda não está encerrado do ponto de vista administrativo.

Caso ocorre em meio a outros problemas jurídicos

A recomendação da PF ocorre em um momento de forte pressão jurídica e política sobre Eduardo Bolsonaro.

Em junho, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou o ex-deputado a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo, segundo informações oficiais do Ministério Público Federal. A acusação está relacionada à atuação política do ex-parlamentar para pressionar autoridades brasileiras durante o processo envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão do STF é um processo distinto do procedimento administrativo disciplinar conduzido pela Polícia Federal.

Enquanto o PAD trata da situação funcional de Eduardo como servidor público, a ação penal analisada pelo Supremo envolve acusações criminais.

Repercussão política

A recomendação de demissão deve ampliar a repercussão no cenário político nacional.

Eduardo Bolsonaro continua sendo uma das principais figuras do campo político ligado à família Bolsonaro e mantém influência entre apoiadores do ex-presidente.

A decisão final sobre o cargo na Polícia Federal poderá provocar novas manifestações de aliados e adversários políticos.

Para a oposição ao governo federal, o caso tende a ser apresentado como mais um episódio de conflito envolvendo integrantes da família Bolsonaro e instituições públicas.

Já setores alinhados ao governo e defensores da medida devem argumentar que o processo administrativo segue critérios funcionais e não possui natureza política.

Impacto para Alagoas

O caso também repercute politicamente em Alagoas, embora não haja, até o momento, qualquer relação direta entre o processo administrativo e autoridades alagoanas.

Eduardo Bolsonaro possui presença política entre grupos conservadores no estado, assim como em outras regiões do Nordeste.

Uma eventual demissão poderá ser utilizada como tema de mobilização política durante o período eleitoral, especialmente entre grupos que apoiam ou fazem oposição ao campo político ligado à família Bolsonaro.

Para os eleitores alagoanos, o episódio deve ser acompanhado principalmente pelo impacto que poderá ter no debate nacional e nas alianças políticas que começam a se consolidar para as eleições de 2026.

Próximos passos

Com o processo concluído pela Polícia Federal, caberá agora ao ministro da Justiça avaliar a recomendação de demissão.

A decisão poderá confirmar a penalidade sugerida pela corporação ou adotar outro entendimento dentro dos limites previstos no processo administrativo.

Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro permanece no centro de uma série de disputas políticas e judiciais.

A recomendação da PF, caso seja confirmada pelo Ministério da Justiça, representará o fim do vínculo funcional do ex-deputado com a instituição.

O episódio, porém, deve continuar provocando repercussão no ambiente político nacional, especialmente por ocorrer simultaneamente a outros processos judiciais envolvendo o ex-parlamentar.

Até a decisão final do ministro da Justiça, Eduardo Bolsonaro continua formalmente vinculado à Polícia Federal, e a recomendação de demissão não equivale, por si só, à efetivação do desligamento.