A Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA) a prestar depoimento no inquérito que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master. A oitiva está prevista para o dia 7 de agosto, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (21).

O parlamentar, que deixou recentemente a liderança do governo Lula no Senado, foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em junho. A investigação apura possíveis crimes financeiros, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à instituição financeira.

O depoimento deverá ser utilizado pelos investigadores para esclarecer a relação do senador com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e apontado como uma das pessoas próximas ao parlamentar.

A PF também pretende questionar Wagner sobre negócios e benefícios que, segundo a investigação, podem ter relação com interesses ligados ao banco.

Apartamento de R$ 2,5 milhões está entre os pontos investigados

Um dos principais assuntos que devem ser abordados pelos investigadores é o pedido feito por Jaques Wagner a Augusto Lima envolvendo a compra de um apartamento em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões.

Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o imóvel seria destinado à filha do senador.

Wagner já admitiu ter feito o pedido, mas afirma que pretendia pagar pelo imóvel posteriormente e nega que tenha recebido qualquer benefício indevido ou atuado em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

A investigação busca esclarecer se houve alguma relação entre a negociação do imóvel e eventual atuação política em benefício de interesses privados.

PF também investiga negociação de terreno

Outro ponto que deve ser abordado no depoimento é a tentativa de negociação de um terreno localizado em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o imóvel teria sido colocado à venda por aproximadamente R$ 15,8 milhões um dia após a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal contra o senador.

A movimentação chamou a atenção dos investigadores e passou a fazer parte das apurações que buscam esclarecer a origem e a finalidade da negociação.

Valores em moeda estrangeira foram apreendidos

Durante a operação que teve Wagner como alvo, agentes da Polícia Federal apreenderam dinheiro em espécie em endereços ligados ao senador.

As informações divulgadas sobre a investigação apontam para a apreensão de valores em dólares e euros, além de quantias em reais.

O senador, por sua vez, afirma que os recursos possuem origem legal e que parte dos dólares estaria relacionada a valores recebidos em razão de viagens e diárias parlamentares.

A existência dos valores faz parte do conjunto de elementos analisados pela PF no decorrer da investigação.

Relação com ex-sócio do Master está no centro da investigação

A Polícia Federal investiga a relação entre Wagner e Augusto Lima, apontado como um dos principais personagens da apuração.

Segundo os investigadores, a proximidade entre os dois teria criado um ambiente que poderia favorecer interesses privados relacionados ao Banco Master.

A PF busca esclarecer se houve contrapartidas ou vantagens indevidas e se a atuação política do senador teria sido utilizada para defender interesses da instituição financeira.

Até o momento, as suspeitas permanecem sob investigação e não representam condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade do parlamentar.

Wagner nega irregularidades

Desde que foi alvo da operação, Jaques Wagner nega ter cometido irregularidades.

O senador também afirmou que sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, era praticamente inexistente.

Em relação às suspeitas levantadas pela Polícia Federal, Wagner sustenta que não recebeu vantagens indevidas e que os valores encontrados em seus endereços têm origem lícita.

A defesa do parlamentar ainda não havia se manifestado publicamente sobre a intimação para o depoimento até a atualização das informações consultadas.

Depoimento pode ampliar investigação

A oitiva de Jaques Wagner será acompanhada de perto porque poderá esclarecer pontos considerados centrais na investigação.

Os investigadores devem buscar informações sobre a relação do senador com Augusto Lima, a negociação do apartamento, a venda do terreno e os valores encontrados durante as buscas.

A PF também poderá confrontar as declarações do parlamentar com documentos e informações obtidos durante as etapas anteriores da Operação Compliance Zero.

O depoimento, portanto, pode ajudar a definir os próximos passos da investigação.

Caso Master aumenta pressão no cenário político

A investigação envolvendo o Banco Master ganhou dimensão política após alcançar figuras com influência no Congresso Nacional.

A situação de Jaques Wagner chama atenção por se tratar de um dos principais nomes do PT na Bahia e de um político próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O senador ocupava a liderança do governo no Senado antes de deixar a função após a operação policial.

A entrada de um integrante de alto escalão político no centro da investigação aumentou a repercussão do caso e ampliou a pressão por esclarecimentos.

Repercussão também chega à Bahia e ao Nordeste

Embora a investigação tenha origem em Brasília e envolva uma instituição financeira de atuação nacional, o caso também repercute politicamente na Bahia e em outros estados do Nordeste.

Jaques Wagner é uma das principais lideranças políticas baianas e possui trajetória de destaque na política regional e nacional.

O avanço da investigação poderá provocar novos debates no cenário político nordestino, especialmente em um ano marcado por intensa movimentação eleitoral.

Para Alagoas, o caso também merece atenção pelo peso que as investigações envolvendo grandes instituições financeiras e lideranças políticas podem ter sobre o ambiente político nacional e sobre as discussões relacionadas à transparência e à fiscalização do sistema financeiro.

Até o momento, não há indicação de que a investigação tenha relação direta com autoridades ou instituições de Alagoas.

Próximos passos

A expectativa é que Jaques Wagner seja ouvido pela Polícia Federal na primeira semana de agosto, com a data de 7 de agosto apontada como previsão inicial.

A defesa ainda poderá apresentar pedido para que o depoimento seja dispensado ou solicitar alterações nos procedimentos da oitiva.

Depois da tomada de depoimentos e da análise do material reunido durante as operações, os investigadores deverão avaliar se existem elementos para novas diligências ou outras medidas judiciais.

O caso segue em investigação, e qualquer eventual responsabilização dependerá da conclusão das apurações e da análise da Justiça.

Enquanto isso, a intimação do senador para depor coloca novamente o caso Master no centro do debate político nacional e mantém sob pressão uma investigação que já alcançou empresários, instituições financeiras e integrantes do cenário político brasileiro.