O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Justiça Eleitoral irão atuar de forma rigorosa contra o uso de deepfakes e qualquer tentativa de interferência de organizações criminosas nas eleições de 2026. A declaração ocorre em meio ao aumento das preocupações com a utilização da inteligência artificial para manipular informações e com o avanço de facções criminosas em diversas regiões do país.
Segundo Gonet, a atuação das autoridades será imediata sempre que houver indícios de conteúdos falsificados por inteligência artificial, especialmente vídeos e áudios capazes de simular falas de candidatos ou autoridades. O procurador também destacou que o Estado brasileiro não pode tolerar a existência de áreas controladas por grupos criminosos que impeçam a livre circulação de candidatos ou influenciem a escolha dos eleitores.
O que isso significa para Alagoas?
Embora Alagoas não esteja entre os estados mais afetados pela presença territorial de facções em comparação com regiões do Sudeste e Norte do país, especialistas em segurança pública alertam que o fortalecimento de organizações criminosas e a expansão de redes digitais de desinformação são desafios cada vez mais presentes no Nordeste.
Nas eleições municipais de 2024 e nos pleitos anteriores, autoridades eleitorais registraram crescimento expressivo da circulação de notícias falsas, montagens e conteúdos enganosos nas redes sociais. Com a popularização das ferramentas de inteligência artificial, a preocupação agora é com a produção de vídeos e áudios falsos altamente convincentes, capazes de influenciar eleitores em poucos minutos.
Para promotores eleitorais ouvidos por especialistas da área, municípios de médio e pequeno porte podem se tornar alvos mais vulneráveis, especialmente em disputas locais marcadas por forte polarização política.
Facções e influência política
Outro ponto destacado por Gonet é a preocupação com a influência indireta do crime organizado sobre campanhas eleitorais. A PGR vem estruturando grupos de trabalho para monitorar possíveis tentativas de infiltração de organizações criminosas no financiamento de campanhas, apoio a candidatos ou intimidação de adversários políticos.
Em Alagoas, órgãos de segurança acompanham há anos a atuação de facções nacionais em bairros urbanos e em algumas regiões do interior. Embora não existam registros recentes de grupos impedindo campanhas eleitorais no estado, o Ministério Público Eleitoral deverá ampliar a fiscalização durante o período eleitoral para evitar qualquer tipo de coação contra candidatos ou eleitores.
Justiça Eleitoral reforça monitoramento
A preocupação com as deepfakes também levou a Justiça Eleitoral a ampliar os mecanismos de monitoramento digital. O objetivo é identificar rapidamente conteúdos manipulados que possam comprometer a lisura da disputa.
Especialistas em direito eleitoral avaliam que os candidatos precisarão investir cada vez mais em verificação de informações, comunicação oficial e monitoramento de redes sociais para combater possíveis ataques virtuais.
Repercussão
Nos bastidores políticos, a fala do procurador-geral foi recebida como um sinal de que a eleição de 2026 poderá ter um dos maiores esquemas de fiscalização digital já realizados no país.
Representantes de partidos políticos defendem regras claras para o uso da inteligência artificial durante a campanha, enquanto especialistas em tecnologia alertam que a velocidade de criação de conteúdos falsos ainda supera a capacidade de resposta das plataformas digitais.
Para analistas, o principal desafio será garantir que o eleitor consiga distinguir informações verdadeiras de conteúdos manipulados em um ambiente cada vez mais dominado por ferramentas automatizadas.
Cenário para 2026
Com o início da pré-campanha presidencial e das articulações estaduais, a expectativa é que a atuação conjunta da PGR, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos Ministérios Públicos estaduais e das forças de segurança seja intensificada nos próximos meses.
O objetivo, segundo as autoridades, é assegurar que a escolha dos eleitores ocorra de forma livre, sem influência do crime organizado e sem manipulação por tecnologias capazes de distorcer a realidade e comprometer o debate democrático.
