A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar de representar uma expansão, o resultado mostra uma desaceleração da atividade econômica. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) havia registrado crescimento de 1,1%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a economia avançou 2%. Já no acumulado dos quatro trimestres encerrados em junho, a expansão foi de 1,9%. O PIB alcançou aproximadamente R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre.

Agropecuária lidera crescimento

Entre os setores analisados pelo IBGE, a agropecuária apresentou o melhor desempenho, com crescimento de 2,8% em relação ao primeiro trimestre.

O resultado foi favorecido principalmente pelo desempenho das lavouras, com destaque para as safras de soja e café. Na comparação com o mesmo período de 2025, a agropecuária registrou expansão de 6,8%, segundo os dados divulgados nesta terça-feira.

A indústria teve avanço mais discreto, de 0,1%, enquanto o setor de serviços cresceu 0,2% na passagem do primeiro para o segundo trimestre.

Dentro da indústria, a atividade extrativa foi um dos destaques, com alta de 3,4% no período.

Nos serviços, os segmentos de informação e comunicação e de transporte, armazenagem e correio apresentaram os melhores resultados.

Consumo das famílias recua

Pelo lado da demanda, um dos principais pontos de atenção foi o comportamento do consumo das famílias.

Os gastos dos brasileiros recuaram 0,4% no segundo trimestre, após terem crescido 0,8% nos três primeiros meses do ano. Trata-se da maior queda desse indicador desde 2024.

O consumo do governo, por outro lado, aumentou 0,4%.

Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, avançaram 1,2% no trimestre, embora em ritmo inferior ao registrado nos três primeiros meses do ano.

Exportações caem

No setor externo, as exportações brasileiras recuaram 0,8% no segundo trimestre, enquanto as importações cresceram 1,8% em relação ao trimestre anterior.

Na comparação com o mesmo período de 2025, porém, houve crescimento tanto das exportações quanto das importações.

Economia perde ritmo após início forte de 2026

O resultado do segundo trimestre indica que a economia brasileira continua crescendo, mas em ritmo mais moderado.

A desaceleração ocorre em um cenário de juros ainda elevados, fator que tende a pressionar o crédito, o consumo e os investimentos. Segundo a Reuters, a taxa básica de juros estava em 14%, mesmo após o início do ciclo de redução da Selic em março.

Ainda assim, o crescimento de 0,5% ficou acima das expectativas do mercado. Uma pesquisa da Reuters apontava previsão média de expansão de 0,4% para o período.

O mercado financeiro, de acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (31), projeta crescimento de aproximadamente 1,92% para o PIB brasileiro em 2026.

Resultado mantém sequência de crescimento

Mesmo com a desaceleração, o PIB brasileiro mantém uma sequência de expansão. De acordo com dados repercutidos pelo UOL, a economia acumula 21 trimestres consecutivos de alta.

O desempenho do segundo trimestre também ocorre em um momento de atenção especial sobre os indicadores econômicos, diante da proximidade das eleições gerais de outubro e das discussões sobre juros, inflação, consumo e situação fiscal.

Para o consumidor, o comportamento dos gastos das famílias e dos juros será um dos pontos importantes para determinar o ritmo da economia nos próximos meses.

O que é o PIB?

O Produto Interno Bruto é a soma dos bens e serviços finais produzidos em determinado território durante um período. O indicador é utilizado para medir o tamanho e acompanhar o desempenho da atividade econômica.

O PIB, porém, não representa sozinho a qualidade de vida da população. O indicador não mostra, por exemplo, como a renda está distribuída entre os habitantes ou o acesso da população a serviços públicos e outros fatores sociais.