As políticas públicas de combate ao tabagismo precisam avançar de forma integrada com as estratégias de promoção da saúde da população LGBT+. A avaliação tem ganhado força entre pesquisadores e profissionais da área da saúde, que alertam para a necessidade de desenvolver ações específicas voltadas a grupos historicamente mais vulneráveis ao consumo de produtos derivados do tabaco e da nicotina.

Estudos recentes apontam que pessoas LGBT+ apresentam, em média, maior prevalência de tabagismo quando comparadas à população em geral. Entre os fatores associados estão situações frequentes de discriminação, estresse, exclusão social e dificuldades de acesso aos serviços de saúde, condições que podem contribuir para o consumo de cigarros convencionais e eletrônicos.

A proposta defendida por especialistas é que as políticas antitabaco deixem de ser tratadas de forma isolada e passem a dialogar diretamente com a Política Nacional de Saúde Integral da População LGBT+, fortalecendo campanhas educativas, acolhimento nas unidades de saúde e programas gratuitos de cessação do tabagismo oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Pesquisas também indicam que campanhas genéricas nem sempre conseguem alcançar esse público com a mesma efetividade, reforçando a importância de estratégias específicas.

Reflexos para Alagoas

Em Alagoas, o debate também ganha importância. O Estado desenvolve ações de promoção da saúde por meio da rede pública, mas especialistas defendem que iniciativas voltadas à prevenção do tabagismo podem ser ampliadas com foco em populações mais vulneráveis, incluindo a comunidade LGBT+.

O fortalecimento da atenção básica, aliado à capacitação de profissionais de saúde para um atendimento livre de preconceitos, é apontado como um dos caminhos para aumentar a procura pelos programas de abandono do cigarro, que oferecem acompanhamento multiprofissional, grupos terapêuticos e, quando necessário, medicamentos disponibilizados gratuitamente pelo SUS.

Além da redução do número de fumantes, a expectativa é diminuir a incidência de doenças cardiovasculares, cânceres e enfermidades respiratórias relacionadas ao tabaco, contribuindo para melhorar os indicadores de saúde pública no estado.

Cigarros eletrônicos preocupam autoridades

Outro ponto de atenção é o crescimento do uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre jovens adultos. Embora a comercialização desses dispositivos permaneça proibida no Brasil, especialistas alertam que seu consumo tem aumentado e pode representar uma porta de entrada para a dependência da nicotina.

A orientação das autoridades sanitárias continua sendo buscar apoio nas unidades de saúde para interromper o uso de qualquer produto derivado do tabaco, aproveitando os programas gratuitos de tratamento oferecidos pelo SUS.