A reforma tributária sobre o consumo ganhou espaço na disputa presidencial de 2026 e passou a revelar diferenças importantes entre os principais candidatos. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a continuidade da implementação do sistema aprovado pelo Congresso. De outro, candidatos como Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) apresentam propostas que vão desde a revisão do modelo até a redução gradual dos impostos.

A discussão ocorre justamente no momento em que o país começa a avançar na implantação prática da reforma. A legislação prevê a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por novos mecanismos, entre eles o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Lula aposta na implementação do novo sistema

O programa de governo de Lula prevê a continuidade da reforma tributária do consumo, com foco na simplificação do sistema e na redução das desigualdades.

Entre as propostas está a manutenção da isenção de produtos que integram a cesta básica e o chamado cashback, mecanismo que permite devolver parte dos impostos pagos para famílias de menor renda.

O plano também prevê a regulamentação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, criado para reduzir diferenças econômicas entre as regiões brasileiras.

Na área do Imposto de Renda, Lula mantém a defesa da isenção para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais.

Flávio Bolsonaro quer revisar reforma e reduzir impostos

O candidato Flávio Bolsonaro apresenta uma postura mais crítica ao modelo aprovado.

A proposta da candidatura questiona uma eventual alíquota elevada do IVA brasileiro e defende a redução da alíquota final, além da diminuição das exceções e tratamentos diferenciados concedidos a determinados setores.

O plano também prevê desoneração de exportações e investimentos e redução de impostos federais incidentes sobre combustíveis e energia elétrica.

A avaliação apresentada pela candidatura é de que a carga tributária precisa ser reduzida sem comprometer a competitividade da economia.

Caiado prioriza corte de despesas

O governador de Goiás e candidato Ronaldo Caiado coloca o equilíbrio das contas públicas no centro da estratégia tributária.

A proposta é evitar que a redução de impostos dependa simplesmente de aumento da dívida ou de novas receitas. Para isso, o plano defende controle das despesas públicas e revisão periódica de subsídios, subvenções e benefícios fiscais.

Incentivos que não apresentem resultados considerados satisfatórios poderiam ser reduzidos ou encerrados.

A candidatura também propõe maior segurança jurídica para setores ligados à economia digital e aos data centers.

Zema defende redução gradual da carga tributária

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, apresenta uma proposta baseada em um sistema tributário mais simples e na redução gradual dos impostos.

Entre as ideias está a criação de mecanismos para acompanhar a carga tributária durante o período de transição da reforma, com metas progressivas de redução.

Zema também defende a diminuição gradual do Imposto de Renda das empresas e maior utilização de tecnologia para automatizar o cálculo dos tributos a partir das notas fiscais eletrônicas.

Outra proposta apresentada pela candidatura envolve mudanças na competência do Supremo Tribunal Federal para analisar questões tributárias.

Renan Santos aposta em ajuste fiscal

O candidato Renan Santos concentra sua proposta na redução das despesas públicas e dos chamados gastos tributários.

A estratégia defendida é diminuir despesas e benefícios fiscais considerados ineficientes para, posteriormente, criar espaço para uma redução da carga tributária.

O plano também prevê a criação de Zonas Econômicas Especiais, com regras diferenciadas para estimular investimentos e industrialização.

Entre as medidas está ainda uma proposta de ajuste fiscal que busca limitar o crescimento das despesas e revisar incentivos concedidos a determinados setores.

Reforma já começa a mudar rotina das empresas

Independentemente do resultado das eleições, a reforma tributária já está entrando na rotina de empresas brasileiras.

A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS estabeleceram cronogramas para a adaptação dos documentos fiscais aos novos tributos. Desde agosto, determinadas notas fiscais passaram a incorporar informações relacionadas ao IBS e à CBS, enquanto outros documentos terão implantação gradual até 2027.

O governo também atualizou as regras do Simples Nacional para adequá-las ao novo sistema. A regulamentação prevê a incorporação de IBS e CBS ao regime e estabelece novos prazos para opções que terão efeito a partir de 2027.

Transição será longa

A reforma não muda o sistema tributário de uma só vez. A implantação ocorrerá de maneira gradual, com período de transição que se estende pelos próximos anos.

A legislação atualmente prevê IBS, CBS e Imposto Seletivo como pilares do novo modelo de tributação do consumo. A regulamentação foi estabelecida por leis complementares aprovadas em 2025 e 2026.

Com a reforma já em fase de implementação, a eleição presidencial acrescenta uma nova discussão: manter o modelo aprovado, aperfeiçoá-lo ou buscar uma redução mais agressiva da carga tributária.

O tema deverá ganhar ainda mais espaço durante a campanha, principalmente porque as decisões tomadas nos próximos anos terão impacto direto sobre empresas, trabalhadores e consumidores.