Ronaldinho Gaúcho está de volta ao futebol profissional. Aos 46 anos, o ex-jogador foi apresentado oficialmente pelo Ravenna FC, da terceira divisão italiana, e assumirá uma função que vai muito além de entrar em campo. O brasileiro será acionista do clube, participará de ações institucionais e promocionais e deverá disputar ao menos uma partida oficial pela equipe.
A decisão de retornar aos gramados, porém, não surgiu apenas pela possibilidade de voltar a jogar. O projeto envolve uma relação de amizade com o empresário italiano Ignazio Cipriani, proprietário do Ravenna, além da ambição de transformar o clube em uma marca com projeção internacional.
Ronaldinho não atua profissionalmente desde 2015, quando defendeu o Fluminense. Agora, a ideia é que sua passagem pelo futebol italiano tenha também um significado simbólico: marcar o 300º gol da carreira e encerrar a trajetória profissional com a camisa do Ravenna.
Amizade com o dono do Ravenna pesou na decisão
A relação entre Ronaldinho e Ignazio Cipriani foi um dos principais fatores para a concretização do acordo. O empresário, integrante da tradicional família italiana ligada ao grupo Cipriani, adquiriu o Ravenna em 2024 e trabalha para levar o clube a patamares mais altos no futebol italiano.
Cipriani já afirmou que Ronaldinho foi seu ídolo durante a infância e que a contratação representa a realização de um projeto pessoal, além de fazer parte de uma estratégia para aproximar a equipe de novos torcedores e ampliar sua presença internacional.
O brasileiro também demonstrou entusiasmo com a proposta. Na apresentação, destacou a amizade com as pessoas envolvidas no projeto e afirmou que está no Ravenna para ajudar a equipe. A decisão sobre sua utilização em partidas, no entanto, ficará a cargo do técnico Andrea Mandorlini.
Muito além de uma contratação
O acordo foi estruturado para que Ronaldinho tenha participação direta no projeto do clube também fora das quatro linhas.
Além de ser inscrito como jogador, o pentacampeão mundial terá funções ligadas à imagem do Ravenna, incluindo eventos e ações promocionais internacionais. A chegada do craque já provocou grande repercussão fora da Itália e colocou o clube no radar de torcedores de diferentes países.
O próprio Ravenna apresenta o projeto como uma tentativa de unir futebol, cultura, moda e entretenimento. A contratação de Ronaldinho faz parte desse reposicionamento e busca transformar a equipe em uma marca de alcance global.
O impacto inicial já apareceu na procura dos torcedores. Segundo o The Guardian, a presença do brasileiro ajudou a aumentar o entusiasmo em torno do clube, que chegou a registrar mais de 2,7 mil ingressos de temporada vendidos.
O desafio do Ravenna
A equipe italiana disputa a Serie C, equivalente à terceira divisão do país, e terminou a última temporada na terceira posição do Grupo B. O objetivo do projeto liderado por Cipriani é recolocar o Ravenna na segunda divisão e, em um horizonte mais ambicioso, alcançar a elite do futebol italiano.
A chegada de Ronaldinho representa, portanto, uma combinação de objetivos esportivos e comerciais. O craque traz reconhecimento mundial para um clube que pretende ampliar sua torcida, atrair investimentos e ganhar espaço no cenário internacional.
Quando Ronaldinho vai jogar?
Apesar de o acordo prever uma participação em partida oficial, a data da reestreia ainda não foi definida.
Ronaldinho não deve entrar em campo na estreia da temporada, contra a Reggiana, marcada para segunda-feira (24). Durante a apresentação, ele afirmou estar em boas condições físicas, mas deixou a decisão sobre sua utilização nas mãos da comissão técnica.
Caso entre em campo, o brasileiro terá ainda um objetivo pessoal: alcançar a marca de 300 gols na carreira. Segundo o UOL, Ronaldinho soma atualmente 299 gols e vê a passagem pelo Ravenna como uma oportunidade de atingir o número simbólico antes de encerrar definitivamente sua trajetória como jogador.
A última partida oficial do craque aconteceu em setembro de 2015, pelo Fluminense. Onze anos depois, Ronaldinho prepara uma despedida completamente diferente daquela que havia imaginado: em um clube italiano de menor expressão, mas com um projeto que pretende transformar o Ravenna em uma potência dentro e fora dos gramados.
