Nos últimos anos, o magnésio passou a figurar entre os suplementos alimentares mais procurados nas farmácias e lojas especializadas. Prometido nas redes sociais como aliado para melhorar o sono, reduzir o estresse, combater cãibras, aumentar a energia e até favorecer a memória, o mineral ganhou status de "solução para tudo". No entanto, médicos e nutricionistas alertam que boa parte dessas promessas ainda não é sustentada por evidências científicas robustas.

O magnésio é um mineral essencial para o organismo humano. Ele participa de centenas de reações bioquímicas relacionadas ao funcionamento dos músculos, do sistema nervoso, da produção de energia, da saúde óssea e do controle da glicose no sangue. Isso, porém, não significa que todas as pessoas se beneficiem da suplementação.

Quando a suplementação é indicada

Especialistas explicam que o uso de suplementos costuma ser recomendado apenas quando há deficiência comprovada ou situações específicas, como algumas doenças gastrointestinais, problemas renais, uso prolongado de determinados medicamentos ou dietas que dificultem a ingestão adequada do mineral.

Entre os sintomas que podem indicar baixos níveis de magnésio estão cansaço persistente, fraqueza muscular, cãibras frequentes, tremores e alterações no ritmo cardíaco. Ainda assim, o diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde, que poderá solicitar exames e avaliar a necessidade de suplementação.

O que a ciência realmente comprova

Embora existam estudos sugerindo que o magnésio possa contribuir para o funcionamento normal do sistema nervoso e muscular, a literatura científica ainda não confirma que o suplemento melhore significativamente o sono, reduza a ansiedade ou elimine cãibras em pessoas saudáveis.

Pesquisas mostram que, quando não existe deficiência do mineral, os benefícios da suplementação tendem a ser pequenos ou inexistentes. Além disso, diferentes tipos de magnésio — como citrato, bisglicinato, cloreto, malato e treonato — são frequentemente divulgados com promessas específicas, mas especialistas afirmam que muitas dessas associações têm mais apelo comercial do que respaldo científico.

Alimentação continua sendo a principal fonte

A recomendação dos profissionais de saúde é priorizar uma alimentação equilibrada para garantir a ingestão diária de magnésio. O mineral está presente em alimentos como castanhas, amêndoas, sementes, aveia, feijão, espinafre, couve, banana, cacau, abacate e cereais integrais.

Segundo especialistas, uma dieta variada costuma ser suficiente para atender às necessidades da maioria da população, dispensando o uso de suplementos.

Excesso também pode fazer mal

Ao contrário do que muitos imaginam, consumir magnésio sem orientação médica não é isento de riscos. Doses elevadas podem provocar diarreia, náuseas, dores abdominais e, em casos mais graves, alterações cardiovasculares, principalmente em pessoas com doença renal.

O suplemento também pode interferir na absorção de alguns medicamentos, como antibióticos e remédios utilizados no tratamento da osteoporose, tornando indispensável a orientação de um médico ou nutricionista antes do início do consumo.

Orientação também vale para os alagoanos

Em Alagoas, profissionais da área da saúde reforçam que o aumento da procura por suplementos acompanha uma tendência observada em todo o país, impulsionada principalmente pelas redes sociais e por influenciadores digitais.

A recomendação é que a população evite a automedicação e procure orientação especializada antes de iniciar qualquer suplementação. Além de evitar gastos desnecessários, a avaliação individual ajuda a identificar se existe realmente deficiência do mineral ou se mudanças na alimentação já são suficientes para manter o organismo saudável.

A principal mensagem dos especialistas é clara: o magnésio é indispensável para o funcionamento do corpo, mas seu uso em cápsulas deve ser indicado apenas quando houver necessidade clínica comprovada.