A nova tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22) e já provoca preocupação entre setores exportadores do Brasil. A medida deve atingir bilhões de dólares em negócios e pode afetar empresas que dependem do mercado norte-americano para vender seus produtos.
As informações têm como fonte original reportagem publicada pelo R7 Economia, em 19 de julho de 2026, com dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Segundo levantamento da ApexBrasil, o Brasil exportou, em média, cerca de US$ 38 bilhões por ano aos Estados Unidos, considerando dados de 2025. Com a nova cobrança, aproximadamente US$ 7,2 bilhões em produtos brasileiros, o equivalente a cerca de 18,9% desse volume, podem sofrer impacto direto da sobretaxa.
A decisão do governo norte-americano, liderado pelo presidente Donald Trump, aumentou a tensão comercial entre os dois países e levou o governo brasileiro a buscar alternativas para reduzir possíveis prejuízos aos exportadores.
Setores mais afetados pela medida
Entre os produtos brasileiros com maior exposição ao mercado dos Estados Unidos estão itens como mel, granito e madeira utilizada na construção civil. De acordo com os dados divulgados, os norte-americanos têm forte dependência do fornecimento brasileiro nesses segmentos.
A preocupação dos empresários é que a tarifa aumente o preço dos produtos brasileiros no mercado americano e reduza a competitividade diante de fornecedores de outros países.
Além das empresas brasileiras, especialistas avaliam que consumidores e companhias dos Estados Unidos também podem sentir efeitos da medida, principalmente em setores que dependem de matérias-primas e produtos importados.
Governo brasileiro busca novos mercados
Como estratégia para minimizar os impactos, a ApexBrasil anunciou um plano de aproximadamente R$ 130 milhões voltado à diversificação de mercados internacionais. A proposta é ampliar a presença de produtos brasileiros em países da Ásia, Europa e Canadá, reduzindo a dependência das vendas para os Estados Unidos.
O governo federal também afirma que trabalha por uma solução diplomática e contesta a aplicação das tarifas, classificando a medida como unilateral. O Brasil avalia alternativas por meio de negociações internacionais e mecanismos previstos nas regras do comércio global.
Possível nova cobrança preocupa setores produtivos
Além da tarifa de 25%, o Brasil ainda acompanha uma possível cobrança adicional de 12,5% sobre determinados produtos que estão sob investigação relacionada ao uso de trabalho forçado. Segundo informações divulgadas, centenas de itens permanecem fora da primeira cobrança, mas parte deles ainda pode ser afetada por uma nova decisão.
Impactos para Alagoas
Embora o impacto direto varie de acordo com os setores exportadores de cada estado, a medida também gera atenção em Alagoas. A economia alagoana possui cadeias produtivas ligadas ao comércio exterior, incluindo setores como açúcar, derivados agrícolas, produtos industriais e atividades que dependem do cenário internacional.
Empresários e especialistas acompanham os possíveis reflexos da tarifa sobre custos, contratos e competitividade. Uma eventual redução das exportações brasileiras pode influenciar cadeias produtivas, transporte, empregos e arrecadação.
Para o setor produtivo alagoano, o momento reforça a importância da abertura de novos mercados e da diversificação das vendas internacionais, estratégia considerada fundamental para reduzir impactos provocados por mudanças nas políticas comerciais de grandes economias.
Relação Brasil-EUA entra em nova fase
A entrada em vigor da tarifa marca um novo capítulo na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, dois parceiros históricos no comércio internacional.
Enquanto o governo brasileiro busca negociação e alternativas para proteger os exportadores, empresas se preparam para avaliar custos, contratos e possíveis mudanças de estratégia diante do novo cenário.
