A nova tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22) e aumentou a preocupação de empresas exportadoras com os efeitos da medida sobre o comércio entre os dois países. Entre os setores atingidos está o de etanol, mas a avaliação é de que o impacto sobre o produto brasileiro pode ser limitado diante das características do mercado internacional e da possibilidade de redirecionamento das exportações.
A medida faz parte da nova política comercial do governo do presidente Donald Trump e atinge diversos itens da pauta de exportações brasileiras, incluindo etanol, produtos de madeira, calçados e máquinas agrícolas. Estimativas divulgadas recentemente apontam que a tarifa pode afetar entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
No caso do etanol, o cenário é considerado menos preocupante do que em outros segmentos porque o Brasil possui uma cadeia produtiva consolidada e mantém relações comerciais com diferentes mercados. A capacidade de buscar novos compradores pode ajudar a reduzir parte dos efeitos da tarifa sobre as vendas externas.
Ainda assim, a cobrança adicional tende a aumentar o custo de entrada do etanol brasileiro nos Estados Unidos e pode reduzir a competitividade do produto em determinadas negociações. O impacto final dependerá também da reação dos compradores americanos e da evolução das políticas comerciais adotadas pelos dois governos.
Relação comercial
A nova tarifa ocorre em um momento de forte tensão nas relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro vinha mantendo negociações com autoridades norte-americanas na tentativa de reduzir ou evitar a aplicação de novas taxas, mas as tratativas não impediram a entrada em vigor da medida nesta quarta-feira.
Nas semanas anteriores, representantes brasileiros defenderam que tarifas amplas poderiam provocar prejuízos não apenas para empresas do país, mas também para companhias e consumidores norte-americanos. O governo argumentou ainda que parte dos produtos brasileiros possui importância para cadeias produtivas dos Estados Unidos e que a ausência de fornecedores alternativos poderia elevar custos no mercado americano.
O Brasil também buscou avançar em negociações técnicas com o governo dos Estados Unidos. Em julho, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que houve abertura para discutir temas de interesse bilateral, embora questões consideradas estratégicas, como o etanol, permanecessem fora de determinados entendimentos.
Setor acompanha possíveis impactos
Apesar da preocupação inicial, analistas avaliam que o efeito da tarifa sobre a economia brasileira como um todo tende a ser menor do que o impacto direto sobre determinados setores exportadores. A diversificação dos mercados de destino é apontada como um dos fatores que podem ajudar o país a absorver parte das perdas.
Para o setor sucroenergético, a atenção agora está voltada para o comportamento dos preços, a demanda internacional e a possibilidade de os exportadores brasileiros ampliarem negócios com outros países.
O cenário, no entanto, ainda pode mudar. Novas negociações entre Brasília e Washington, eventuais medidas de reciprocidade e alterações nas regras comerciais dos Estados Unidos podem influenciar diretamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Enquanto as negociações continuam, o setor produtivo acompanha os desdobramentos da disputa comercial e avalia alternativas para preservar as exportações e reduzir os efeitos da nova tarifa sobre a cadeia do etanol.
