Inaugurado neste ano, o Sporting FC virou a sensação da Segunda Divisão do Campeonato Alagoano. Com um projeto audacioso, inspirado em zebra da Champions, o clube que comprou o Sete de Setembro traçou uma meta para disputar a elite do futebol estadual e está a apenas uma partida de alcançar o objetivo. Domingo, às 14h30, pode perder até por um gol de diferença contra o Zumbi, em Tetônio Vilela, para ficar com a vaga na elite.
Comandado pelo sueco Anders Wallgren, o clube apostou no técnico baiano Genalvo Oliveira para montar e treinar o elenco. Em entrevista ao ge, o treinador explicou como surgiu a parceria com o dirigente que está inovando a metodologia do futebol na Segunda Divisão em Alagoas.
— Como eu tinha jogado no clube em que ele (Anders) era presidente lá na Suécia, o Anders me trouxe para cá para a gente formalizar o que tem de ideia de jogo da Europa, com transições rápidas e compactação da equipe.
Segundo Anders, ele quer que o time tenha o estilo de jogo parecido com o do Bodo/Glimt, da Noruega.
— O Mjällby (atual campeão da Suécia), o Bodo/Glimt, da Noruega, e outro clube da Suécia, o GAS, de Gontemburgo, esses três clubes têm essa metodologia que vou usar aqui: alta pressão, corre muito, um, dois toques, muito ofensivo, controle de jogo e fechar os espaços dos adversários. Quando perdem a bola, vão para cima e não baixam muito — explicou o dirigente, em entrevista ao jornalista Caio Lorena, da TV Asa Branca.
Para Genalvo, a essência do jogador brasileiro ainda dificulta a implementação do trabalho. Porém, mesmo com pouco tempo de treino, o balanço já é positivo.
— Aqui no Brasil, é muito difícil, pelo fato de o jogador brasileiro gostar muito do drible, gostar muito de ficar com a bola perto e ainda a gente não conseguiu implementar muito a filosofia, pelo fato de ter pouco prazo, mas os jogadores que estão conosco, a grande maioria, entenderam o modelo de jogo que a gente gosta de jogar - explicado Genalvo, destacando também o auxílio da preparação física do Sporting.
— Durante os trabalhos, juntamente com o professor Lucas, preparador físico, a gente fez com que em pouco tempo eles entendessem o modelo de jogo e tentou, dentro do treinamento, dar esse volume para eles e, graças a Deus, a gente conseguiu.
O técnico comentou um pedido que fez ao presidente para melhorar o rendimento nos treinos do Sporting em Teotônio Vilela.
— Eu pedi para o presidente, como é um campeonato curto, a gente trabalhar com um grupo enxuto. A gente tem hoje 22 atletas, com os goleiros já, o que fica até mais fácil o entendimento dos jogadores, a maneira que a gente gosta de trabalhar.

Genalvo falou ainda sobre o desafio de usar a linguagem moderna do futebol com os jogadores.
— A linguagem do futebol hoje, a modernidade, o processo da internet está muito evoluído. E tem muitos jogadores ainda que não entendem essa linguagem do futebol. Isso é muito difícil quando a gente aplica treino da maneira moderna, extremo direito, é bloco baixo, bloco alto, bloco médio... Isso cria uma confusão na cabeça dos atletas, mas, com o trabalho em longo do tempo, eles acabam encaixando e facilitando o nosso trabalho também.
Formado nas categorias de base do Atlético-MG, o ex-volante Genalvo defendeu Criciúma, Ipatinga, Santa Cruz, Caldense, Tupi e Guarani-MG. Fora do país, ele jogou pelo Nacional, de Portugal, e Ljungskile, da Suécia, justamente onde conheceu o patrono do Sporting.
