O presidente da China, Xi Jinping, afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que Pequim apoia a defesa da soberania e da independência do Brasil e se opõe a qualquer forma de interferência externa. A declaração ocorreu durante uma conversa telefônica entre os dois líderes, realizada em meio ao aumento das tensões entre o governo brasileiro e os Estados Unidos.

Segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua, Xi afirmou que a China valoriza a posição internacional do Brasil e sua influência na América Latina e no cenário global. O líder chinês também defendeu o fortalecimento da coordenação estratégica entre os dois países em temas bilaterais e multilaterais.

A conversa acontece em um momento de forte pressão sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro vem criticando medidas comerciais adotadas por Washington e defendendo que decisões relacionadas ao futuro político e econômico do país não sofram influência de governos estrangeiros.

Durante o telefonema, Xi destacou que Brasil e China, como integrantes do chamado Sul Global, devem ampliar a cooperação e atuar em defesa de uma ordem internacional baseada no diálogo e na estabilidade.

O presidente chinês também defendeu o fortalecimento do Brics e uma maior participação do grupo nas discussões sobre a governança global. Para Pequim, a união entre os países emergentes pode contribuir para ampliar a influência do Sul Global em decisões econômicas e políticas internacionais.

Relação entre Brasil e China

A conversa reforça a aproximação entre Brasília e Pequim, que mantêm uma parceria estratégica nas áreas comercial, econômica e diplomática. A China é um dos principais parceiros do Brasil e ocupa posição de destaque nas exportações brasileiras.

O diálogo entre Lula e Xi também ocorre após o presidente brasileiro publicar um artigo no jornal norte-americano The Washington Post no qual criticou as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Lula classificou as medidas como um erro estratégico e afirmou que o Brasil não aceitará pressão externa sobre seus interesses nacionais.

Além das questões comerciais, os governos brasileiro e chinês têm ampliado discussões sobre áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, terras raras, investimentos e cooperação tecnológica. O telefonema entre os presidentes reforça a intenção dos dois países de manter uma agenda de aproximação em diferentes setores.

Cenário internacional

A manifestação de Xi ocorre em um contexto de crescente disputa geopolítica e comercial entre grandes potências. Para o governo chinês, Brasil e China podem desempenhar um papel relevante na defesa do multilateralismo e na busca por maior equilíbrio nas relações internacionais.

O presidente chinês também afirmou que Pequim está disposta a aprofundar a coordenação estratégica com o Brasil, mantendo o ritmo da construção de uma parceria de longo prazo entre os dois países.

Para Lula, a aproximação com a China representa uma alternativa importante diante das dificuldades comerciais enfrentadas com os Estados Unidos. O governo brasileiro tem defendido a diversificação de parceiros e a ampliação das relações com diferentes mercados.

A conversa entre Lula e Xi, portanto, reforça a parceria entre os dois países e ocorre em um momento de intensa movimentação diplomática. Enquanto o Brasil busca preservar seus interesses diante das pressões externas, a China sinaliza disposição para ampliar a cooperação e apoiar a defesa da soberania brasileira.