BRASÍLIA – Faltando cerca de três meses para o encerramento do período de fiscalização dos sistemas que serão utilizados nas Eleições Gerais de 2026, apenas três entidades realizaram inspeções presenciais no código-fonte disponibilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A informação chama atenção diante da importância do processo para a transparência e a segurança do sistema eleitoral brasileiro.

Desde outubro de 2025, o TSE mantém aberto o acesso aos programas e algoritmos que compõem as urnas eletrônicas e demais sistemas eleitorais. Até o momento, participaram das inspeções representantes do partido União Brasil, do Senado Federal e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Fiscalização segue aberta até setembro

O período de auditoria permanece disponível até setembro, quando ocorre a cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais. Durante esse processo, entidades autorizadas podem analisar os códigos responsáveis pelo funcionamento das urnas, sistemas de transmissão de dados e totalização dos votos.

Segundo o TSE, mais de 15 instituições possuem legitimidade para acompanhar e fiscalizar o sistema eleitoral, incluindo órgãos públicos, universidades, partidos políticos, entidades da sociedade civil e instituições de controle.

Transparência ampliada

A abertura dos códigos-fonte é uma prática prevista pela legislação eleitoral e ocorre regularmente desde 2002. A partir das eleições de 2022, o período de fiscalização foi ampliado de seis meses para um ano antes do pleito, permitindo mais tempo para análises técnicas e sugestões de aperfeiçoamento.

Durante as inspeções, técnicos e especialistas têm acesso ao conjunto completo de softwares utilizados pela Justiça Eleitoral. O objetivo é permitir a verificação independente dos mecanismos de segurança e aumentar a confiança no processo de votação eletrônica.

O que isso significa para as eleições de 2026?

Especialistas em tecnologia eleitoral afirmam que a fiscalização externa é uma das principais ferramentas de auditoria do sistema brasileiro. Quanto maior a participação das entidades habilitadas, maior a quantidade de verificações e análises realizadas antes do dia da votação.

O sistema eleitoral brasileiro passa por diversas etapas de auditoria ao longo do ciclo eleitoral, incluindo testes públicos de segurança, inspeções de código, verificação dos boletins de urna e acompanhamento por instituições independentes.

Repercussão

A baixa adesão às inspeções até o momento tem gerado debates entre especialistas e representantes da sociedade civil. Enquanto alguns defendem maior participação das entidades fiscalizadoras, outros destacam que ainda há prazo suficiente para novas visitas e auditorias antes do encerramento do período de análise.

As Eleições Gerais de 2026 estão marcadas para o dia 4 de outubro, quando os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.