Alagoas encerrou 2025 com redução de 6,6% no número de mortes violentas intencionais (MVI), segundo dados da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). O resultado acompanha a tendência nacional de queda da violência letal, mas o cenário ainda exige atenção diante do crescimento dos feminicídios e da violência contra a mulher.
No Brasil, foram contabilizadas 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, contra 44.127 no ano anterior. A taxa nacional caiu de 20,6 para 19,1 mortes por 100 mil habitantes, uma redução de 8,2% e o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.
A categoria reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes decorrentes de intervenções policiais e mortes de policiais em serviço ou fora dele.
Alagoas acompanha queda nacional
Com a redução de 6,6%, Alagoas aparece entre os estados que conseguiram diminuir os registros de mortes violentas no período analisado. Embora o percentual seja inferior à queda média registrada no país, o resultado representa uma sinalização positiva para a segurança pública estadual.
A redução ocorre em um contexto de esforços das forças de segurança para conter os crimes violentos letais e intencionais. Em balanços recentes, o governo estadual também tem destacado a queda dos homicídios e a evolução de indicadores de segurança em Alagoas.
Apesar dos números positivos, especialistas e órgãos ligados à segurança pública alertam que a análise dos dados precisa considerar as particularidades de cada estado e a dinâmica dos diferentes tipos de crime. Uma queda nas mortes violentas, por exemplo, não significa necessariamente redução em todas as modalidades de violência.
Feminicídios avançam e acendem alerta
O principal ponto de preocupação revelado pelo levantamento nacional está relacionado à violência contra a mulher.
Enquanto os homicídios dolosos, os latrocínios e as lesões corporais seguidas de morte apresentaram redução no país, os feminicídios cresceram 4% em 2025. Ao todo, foram registrados 1.571 casos, o equivalente a mais de quatro mulheres assassinadas por dia por razões relacionadas à condição de gênero.
As tentativas de feminicídio também aumentaram. Foram 4.189 registros em 2025, alta de 5,9% em comparação com o ano anterior.
Os dados mostram, portanto, um cenário contraditório: o Brasil conseguiu atingir o menor índice de mortes violentas desde o início da série histórica, mas ainda enfrenta dificuldades para conter a violência de gênero. O próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública classifica o momento como uma transição, marcada simultaneamente pela queda da violência letal e pelo crescimento de feminicídios e da letalidade policial.
Repercussão em Alagoas
A divulgação dos números deve ampliar o debate sobre as políticas de segurança pública no estado. Para Alagoas, a queda de 6,6% nas mortes violentas representa um indicador favorável, mas o avanço nacional dos feminicídios reforça a necessidade de fortalecer a prevenção e a rede de proteção às mulheres.
O desafio envolve não apenas a atuação policial, mas também o funcionamento integrado dos serviços de assistência social, saúde, Justiça e proteção às vítimas de violência doméstica.
A preocupação ganha ainda mais relevância diante do histórico de violência contra mulheres no país. Dados de estudos anteriores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que a redução dos homicídios não ocorre de forma homogênea entre homens e mulheres, mantendo a violência de gênero como um dos principais desafios das políticas públicas de segurança e direitos humanos.
Cenário exige atenção permanente
Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que a redução das mortes violentas é uma tendência importante para o país e também para Alagoas. No entanto, os números reforçam que o combate à violência precisa ser permanente e acompanhado por políticas específicas para diferentes tipos de crime.
Em Alagoas, a queda das mortes violentas coloca o estado em uma trajetória positiva no indicador geral, mas o avanço dos feminicídios em nível nacional serve como alerta para que a violência contra a mulher continue no centro das estratégias de prevenção e proteção.
O desafio, agora, é transformar a redução da violência letal em uma tendência duradoura, sem perder de vista os crimes que continuam crescendo e atingindo grupos específicos da população.
