O Brasil vem registrando uma trajetória de queda nos principais indicadores de violência letal, mas a redução nacional não ocorre de maneira uniforme entre os estados. Dados recentes de estudos sobre segurança pública mostram que, apesar da melhora dos números gerais, algumas regiões ainda enfrentam índices elevados de mortes violentas e desafios específicos no combate à criminalidade.
Segundo o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o país contabilizou 42.590 homicídios em 2024, o menor número da série histórica iniciada em 2014. A taxa nacional ficou em 20,1 homicídios para cada 100 mil habitantes, uma redução de 7,4% em relação ao ano anterior.
O levantamento considera os registros oficiais de homicídios e aponta uma tendência de melhora nos indicadores nacionais. No entanto, os próprios pesquisadores alertam para a necessidade de atenção aos chamados homicídios ocultos, casos que podem não aparecer de forma adequada nas estatísticas oficiais e que representam um desafio para a produção de um retrato fiel da violência no país.
Mortes violentas também apresentam redução
Outro indicador utilizado para avaliar a violência é o de Mortes Violentas Intencionais (MVI), que reúne diferentes tipos de ocorrências letais. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 registrou 44.127 mortes violentas intencionais no Brasil em 2024, número 5,4% menor que o contabilizado no ano anterior.
A categoria inclui homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais, entre outros registros. Por isso, os números de MVI não devem ser confundidos diretamente com os dados de homicídios apresentados pelo Atlas da Violência, que utiliza outra metodologia e outra base de informações.
Queda nacional esconde diferenças regionais
Apesar do avanço no cenário nacional, a violência continua distribuída de forma desigual pelo território brasileiro. Estados com históricos de conflitos entre grupos criminosos, disputas territoriais e dificuldades estruturais na segurança pública permanecem entre os que apresentam maiores taxas de violência letal.
Ao mesmo tempo, unidades da Federação que conseguiram reduzir seus índices nos últimos anos passaram a registrar resultados mais próximos dos padrões observados em regiões tradicionalmente menos violentas.
A diferença entre os indicadores estaduais reforça a avaliação de especialistas de que não existe uma única explicação para a redução ou o aumento da criminalidade. Fatores como políticas de segurança, atuação das forças policiais, presença de organizações criminosas, circulação de armas de fogo, condições sociais e mudanças demográficas influenciam diretamente os resultados.
Desafio permanece
Mesmo diante da redução dos homicídios, os números ainda representam um desafio de grandes proporções para o país. O Brasil continua registrando dezenas de milhares de mortes violentas todos os anos, além de enfrentar problemas relacionados à violência contra mulheres, crimes sexuais, letalidade policial e atuação de organizações criminosas.
Para pesquisadores, a queda dos indicadores deve ser acompanhada de políticas públicas permanentes e de investimentos em prevenção, inteligência e investigação criminal.
A evolução dos dados também depende da qualidade dos registros oficiais. O Atlas da Violência 2026 chama atenção para o crescimento dos chamados homicídios ocultos, situação que pode levar à subestimação do número real de mortes violentas no país.
O cenário, portanto, é de melhora nos indicadores nacionais, mas ainda marcado por fortes desigualdades entre os estados. A redução da violência letal representa um avanço, mas os dados mostram que o combate aos homicídios continua sendo um dos principais desafios da segurança pública brasileira.
